Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

1º Samuel 13 a 16 (dia 63)

1 Samuel 13

Guerra contra os filisteus

1 Saul já era adulto quando se tornou rei e governou o povo de Israel dois anos.

2 Ele escolheu três mil israelitas e mandou todos os outros de volta para casa. Dois mil estavam na cidade de Micmás e na região montanhosa de Betel. Mil homens ficaram com o seu filho Jônatas, na cidade de Gibeá, no território da tribo de Benjamim.
3 Jônatas matou o comandante filisteu, em Geba, e os filisteus ficaram sabendo disso. Aí Saul mandou mensageiros para tocarem corneta por todo o país, chamando os hebreus para a guerra.

4 E todo o povo ouviu esta mensagem: “Saul matou o comandante dos filisteus, e agora eles estão com ódio dos israelitas.” Então o povo respondeu ao chamado e foi juntar-se a Saul, em Gilgal.
5 Os filisteus se reuniram para lutar contra os israelitas. Eles tinham trinta mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e tantos soldados quantos os grãos de areia da praia do mar. Foram até Micmás, a leste da cidade de Bete-Avém, e acamparam ali. 6 Os israelitas perceberam que estavam sem saída e numa situação muito difícil. Alguns se esconderam em cavernas e em buracos, e outros, entre rochas, em covas e em poços.

7 Outros ainda atravessaram o rio Jordão e foram para as terras de Gade e de Gileade.
Saul havia ficado em Gilgal, e o povo dali estava apavorado. 8 Seguindo as instruções de Samuel, Saul esperou sete dias, mas Samuel não foi até lá. E o povo começou a abandonar Saul e sair dali.

9 Então Saul lhes disse:
— Tragam os animais para o sacrifício que é completamente queimado e para as ofertas de paz.
Ele ofereceu o sacrifício, 10 e, quando estava terminando, Samuel chegou. Saul foi ao encontro dele, para o cumprimentar,

11 mas Samuel disse:
— O que foi que você fez?
Saul respondeu:
— Eu percebi que o povo estava me abandonando e indo embora. Você também não veio como havia prometido, e os filisteus já estavam reunidos em Micmás.

12 Aí eu pensei: “Os filisteus vão descer a Gilgal para me atacar, e eu ainda não tentei conseguir a ajuda de Deus, o Senhor.” Então achei que tinha de oferecer o sacrifício.
13 — O que você fez foi uma loucura! — respondeu Samuel. — Você não obedeceu à ordem do Senhor, nosso Deus. Se tivesse obedecido, ele teria deixado que você e os seus descendentes governassem o povo de Israel para sempre.

14 Mas agora você não continuará a governar. Você desobedeceu ao Senhor, e por isso ele vai encontrar um homem do tipo que ele quer e o fará chefe deste povo.
15 Aí Samuel saiu de Gilgal e foi embora. Saul, acompanhado pelo resto do povo, também deixou Gilgal e foi para junto dos seus soldados, em Gibeá, no território da tribo de Benjamim. Então ele fez uma contagem dos seus soldados: eram mais ou menos seiscentos homens. 16 Saul, o seu filho Jônatas e os seus homens ficaram em Geba, no território de Benjamim. Os filisteus estavam acampados em Micmás. 17 Os soldados filisteus saíram para patrulhar em três grupos: um grupo foi na direção de Ofra, na terra de Sual,

18 o outro seguiu rumo a Bete-Horom, e o terceiro, na direção do monte de onde se avista o vale de Zeboim e o deserto.
19 Os filisteus haviam proibido os hebreus de fazerem espadas e lanças. Por isso, não havia nenhum ferreiro na terra de Israel. 20 Assim, quando os arados, as enxadas, os machados e as foices dos israelitas precisavam ser amolados, eles os levavam aos filisteus. 21 Estes cobravam caro dos israelitas para afiar machados e ferrões de tocar bois e mais caro ainda para afiar arados e enxadas.

22 Por isso, no dia da batalha, nenhum soldado israelita tinha nem espada nem lança; só Saul e o seu filho Jônatas é que tinham.
23 Os filisteus mandaram um grupo de soldados para defender o desfiladeiro de Micmás.



1 Samuel 14

A vitória de Jônatas

1 Um dia Jônatas disse ao rapaz que carregava as suas armas:
— Vamos até o acampamento filisteu, que está no outro lado do desfiladeiro.
Mas Jônatas não contou ao pai o que ia fazer. 2 Saul estava em Migrom, perto de Gibeá, acampado debaixo de um pé de romã. Com ele estavam mais ou menos seiscentos homens.

3 O sacerdote que usava o manto sacerdotal era Aías, filho de Aitube e sobrinho de Icabô. (Icabô era filho de Fineias e neto de Eli, que havia sido sacerdote do Senhor Deus em Siló.) Os homens não sabiam que Jônatas havia saído do acampamento.
4 No desfiladeiro que Jônatas tinha de atravessar para chegar ao acampamento dos filisteus, havia duas grandes pedras, uma de cada lado da passagem. Uma era chamada de Bosês, e a outra, de Senê.

5 Uma estava no lado norte do desfiladeiro, de frente para Micmás, e a outra, no lado sul, de frente para Geba.

6 Jônatas disse ao rapaz que o acompanhava:
— Vamos até o acampamento desses filisteus pagãos. Pode ser que o Senhor nos ajude. E, se ele nos ajudar, nada poderá impedi-lo de nos dar a vitória, ainda que sejamos poucos.

7 O rapaz respondeu:
— Faça o que achar melhor! Eu estou com o senhor.
8 — Muito bem! — respondeu Jônatas. — Vamos até lá e deixemos que aqueles homens nos vejam. 9 Se eles disserem para ficarmos parados até que cheguem perto de nós, nós obedeceremos.

10 Mas, se disserem para irmos até o lugar onde eles estão, nós iremos, pois isso será o sinal de que o Senhor Deus nos deu a vitória.

11 Aí os dois deixaram que os filisteus os vissem. E estes disseram:
— Vejam! Alguns hebreus estão saindo das tocas onde estavam escondidos.

12 Então os soldados filisteus chamaram Jônatas e o rapaz:
— Subam até aqui! Queremos mostrar uma coisa a vocês.
Jônatas disse ao rapaz:
— Siga-me, pois o Senhor Deus deu ao povo de Israel a vitória sobre os filisteus.
13 Ele subiu engatinhando, e o rapaz o seguiu. Jônatas ia atacando e derrubando os filisteus, e o rapaz os ia matando. 14 Nesse primeiro ataque eles mataram cerca de vinte homens, em uma área de mais ou menos mil e duzentos metros quadrados.

15 Todos os filisteus que estavam no acampamento ficaram apavorados. Os patrulheiros e os soldados do acampamento tremeram de medo. A terra também tremeu, e houve uma grande confusão.



A derrota dos filisteus

16 Os espiões de Saul que estavam em Gibeá, no território da tribo de Benjamim, viram que os filisteus estavam tontos, correndo para cá e para lá.

17 Então Saul disse aos seus oficiais:
— Contem os nossos soldados e vejam quem está faltando.
Eles contaram e descobriram que estavam faltando Jônatas e o rapaz que carregava as suas armas.

18 Aí Saul disse a Aías, o sacerdote:
— Traga aqui a arca da aliança.
Ele disse isso porque naquele tempo a arca ia na frente do povo de Israel.

19 Enquanto Saul falava com o sacerdote, a confusão no acampamento filisteu aumentava cada vez mais.
Então Saul disse ao sacerdote:
— Você não precisa mais consultar o Senhor.
20 Aí ele e os seus homens entraram na batalha contra os filisteus. Estes, em completa confusão, estavam lutando uns contra os outros. 21 Os hebreus que haviam passado para o lado dos filisteus e tinham ido para o acampamento com eles mudaram de lado outra vez e se juntaram com Saul e Jônatas. 22 Os israelitas que estavam escondidos nas montanhas de Efraim também souberam que os filisteus estavam fugindo. Eles se reuniram e atacaram os filisteus,

23 lutando todo o caminho até além de Bete-Avém. E o Senhor Deus deu naquele dia a vitória ao povo de Israel.



Depois da batalha

24 Naquele dia os israelitas estavam fracos de fome porque Saul havia feito este juramento: “Quem comer qualquer coisa hoje, antes de eu me vingar dos meus inimigos, será amaldiçoado.” Por isso, ninguém tinha comido nada o dia inteiro. 25 Todos eles chegaram a um bosque e ali acharam mel por toda parte. 26 As árvores estavam cheias de mel, mas ninguém comeu nada porque eles estavam com medo do juramento de Saul. 27 Mas Jônatas não tinha ouvido o seu pai dar a ordem ao povo. Por isso, estendeu o bastão que tinha na mão, molhou a ponta num favo e comeu um pouco de mel. E logo se sentiu melhor.

28 Mas um dos homens disse:
— Todos estão fracos de fome porque o seu pai nos ameaçou, dizendo: “Quem comer qualquer coisa hoje será amaldiçoado!”

29 Então Jônatas respondeu:
— O meu pai fez uma coisa terrível com o nosso povo. Vejam como estou me sentindo melhor depois de comer um pouco deste mel!

30 Teria sido bem melhor se hoje o nosso povo tivesse comido o alimento que tomou do inimigo quando o derrotou. Imaginem quantos filisteus mais eles teriam matado!
31 Naquele dia os israelitas derrotaram os filisteus, lutando desde Micmás até Aijalom. A essa altura os israelitas estavam muito fracos de fome. 32 Por isso, avançaram sobre o que haviam tirado dos inimigos, isto é, as ovelhas, as vacas e os bezerros, e os mataram ali mesmo e comeram a carne com o sangue.

33 Aí alguém foi dizer a Saul:
— Olhe! O povo está pecando contra Deus, comendo carne sem primeiro deixar escorrer o sangue.
Saul gritou:
— Isso é traição! Rolem aqui para mim uma pedra grande.

34 E ordenou ainda:
— Vão para o meio do povo e digam a eles que tragam aqui o seu gado e as suas ovelhas. E que os matem e os comam aqui. E que não pequem contra Deus, comendo carne com sangue.
Por isso, naquela noite, todos trouxeram o seu gado e o mataram ali.

35 E Saul construiu um altar para o Senhor Deus, e esse foi o primeiro que ele construiu.



O povo salva Jônatas

36 Aí Saul disse aos seus soldados:
— Vamos descer de noite e atacar os filisteus. Até o amanhecer nós tomaremos tudo o que eles têm e não deixaremos nenhum filisteu vivo.
Eles responderam:
— Faça o que achar melhor.
Mas o sacerdote disse:
— Primeiro vamos consultar a Deus.

37 Aí Saul perguntou a Deus:
— Devo atacar os filisteus? Tu darás a vitória ao povo de Israel?
Mas naquele dia Deus não respondeu nada.

38 Então Saul disse aos oficiais:
— Venham aqui e descubram que pecado foi cometido hoje.

39 Eu prometo pelo Senhor, o Deus vivo, o Salvador de Israel, que, mesmo que o culpado seja o meu filho Jônatas, eu o matarei.
Mas ninguém respondeu nada.

40 Então Saul ordenou:
— Fiquem todos de um lado. Eu e o meu filho Jônatas ficaremos do outro.
— Faça o que achar melhor! — responderam eles.

41 Então Saul disse ao Senhor, o Deus de Israel:
— Ó Deus, por que não me respondeste hoje? Ó Senhor, Deus de Israel, responde por meio do sorteio. Se a culpa for minha ou de Jônatas, responde pela pedra marcada Urim; mas, se a culpa for de Israel, o teu povo, responde pela pedra marcada Tumim.
E a resposta indicou Jônatas e Saul e não os soldados.

42 Então Saul disse:
— Façam o sorteio para saber se a culpa é minha ou do meu filho Jônatas.
E Jônatas foi indicado.

43 Então Saul perguntou:
— O que foi que você fez?
— Eu comi um pouco de mel que tirei com a ponta do bastão que eu tinha na mão! — respondeu Jônatas. — E estou aqui, pronto para morrer.

44 — Que Deus me mate se você não for morto! — disse Saul.

45 Mas os soldados responderam:
— Isso, nunca! Jônatas, que deu esta grande vitória ao povo de Israel, não deve morrer. Nós prometemos pelo Senhor, o Deus vivo, que ele não vai perder nem um fio de cabelo. O que ele fez hoje foi conseguido com a ajuda de Deus.
E assim os soldados salvaram Jônatas da morte.

46 Saul parou de perseguir os filisteus, e eles voltaram para a sua terra.



O reinado e a família de Saul

47 Depois que se tornou o rei de Israel, Saul lutou contra todos os povos vizinhos que eram seus inimigos: os povos de Moabe, de Amom e de Edom, os reis de Zoba e os filisteus. E em toda parte em que lutava era vitorioso.

48 Saul lutou corajosamente e venceu os amalequitas. E defendeu o povo de Israel de todos os ataques.
49 Saul tinha três filhos homens: Jônatas, Isvi e Malquisua. A sua filha mais velha chamava-se Merabe, e a mais nova, Mical. 50 A sua mulher chamava-se Ainoã e era filha de Aimaás. O comandante do exército de Saul era o seu primo Abner, filho de seu tio Ner.

51 Quis, o pai de Saul, e Ner, o pai de Abner, eram filhos de Abiel.
52 Durante toda a sua vida Saul lutou ferozmente contra os filisteus. E, sempre que encontrava um homem forte e valente, ele o alistava no seu exército.



1 Samuel 15

Guerra contra os amalequitas

1 Samuel disse a Saul:
— O Senhor Deus me mandou ungir você para ser rei de Israel, o povo dele. Agora escute isto que o Senhor Todo-Poderoso diz. 2 Ele castigará os amalequitas porque eles lutaram contra os israelitas quando estes vieram do Egito.

3 Vá, ataque os amalequitas e destrua completamente tudo o que eles têm. Não tenha dó nem piedade. Mate todos os homens e mulheres, crianças e bebês, gado e ovelhas, camelos e jumentos.
4 Então Saul convocou o seu exército e em Telaim fez uma contagem dos seus soldados. Havia duzentos mil soldados do povo de Israel e dez mil de Judá. 5 Aí Saul e todos os seus soldados foram para a cidade de Amaleque e ficaram esperando escondidos no leito seco de um rio.

6 Saul preveniu os queneus:
— Saiam do meio dos amalequitas para que eu não os mate junto com eles, pois vocês foram bondosos com os israelitas quando eles vieram do Egito.
Então os queneus saíram.
7 E Saul derrotou os amalequitas, desde Havilá até Sur, a leste do Egito. 8 Prendeu Agague, o rei dos amalequitas, porém matou todo o povo.

9 Saul e os seus soldados não mataram Agague; também não mataram as melhores ovelhas, os melhores touros, bezerros e carneiros e tudo o mais que era bom. Mas destruíram tudo o que era imprestável e sem valor.



Saul é rejeitado como rei

10 O Senhor Deus falou com Samuel:

11 — Eu estou arrependido de ter feito Saul rei, pois ele me abandonou e desobedeceu às minhas ordens.
Samuel ficou triste com isso e a noite inteira orou em voz bem alta a Deus, o Senhor, em favor de Saul. 12 Na manhã seguinte, bem cedo, ele saiu para procurar Saul. Soube que ele tinha ido para a cidade de Carmelo, onde havia construído um monumento em honra de si mesmo, e que depois tinha seguido para Gilgal.

13 Samuel encontrou Saul, e este o cumprimentou, dizendo:
— Que o Senhor Deus o abençoe, Samuel! Eu obedeci às ordens do Senhor.

14 E Samuel perguntou:
— Então por que é que estou ouvindo o mugido de gado e o berro de ovelhas?

15 Saul respondeu:
— Os meus soldados os tomaram dos amalequitas. Pegaram as melhores ovelhas e o melhor gado para oferecer como sacrifício ao Senhor, o Deus de você. E destruímos completamente o resto.

16 — Espere! — interrompeu Samuel. — Eu vou lhe contar o que o Senhor Deus me disse na noite passada.
— Fale! — disse Saul.

17 E Samuel continuou:
— Você pode pensar que é uma pessoa sem importância, mas é o líder das tribos de Israel. O Senhor Deus o ungiu como rei do povo de Israel 18 e mandou que você fosse e destruísse os amalequitas, essa gente má. E disse para você lutar até acabar com eles.

19 Então por que é que você não obedeceu? Por que é que você teve pressa de ficar com as coisas do inimigo, fazendo assim uma coisa que para Deus é errada?
20 — Mas eu obedeci a Deus, o Senhor! — respondeu Saul. — Saí como ele me ordenou, trouxe o rei Agague e matei todos os amalequitas.

21 Porém os meus soldados não mataram o melhor gado e as melhores ovelhas, que estavam condenados à destruição. Em vez disso, eles os trouxeram aqui para Gilgal a fim de os oferecer como sacrifício ao Senhor, o Deus de você.

22 Samuel respondeu:
— O que é que o Senhor Deus prefere?
Obediência ou oferta de sacrifícios?
É melhor obedecer a Deus
do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas.

23 A revolta contra o Senhor é tão grave como a feitiçaria,
e o orgulho é pecado como é pecado a idolatria.
O Senhor o rejeitou como rei
porque você rejeitou as ordens dele.
24 — Eu pequei! — respondeu Saul. — Desobedeci às ordens de Deus, o Senhor, e às instruções que você deu. Fiquei com medo do povo e fiz o que eles queriam.

25 Mas agora, Samuel, eu peço que perdoe o meu pecado e volte comigo para que eu possa adorar o Senhor.

26 — Eu não voltarei com você! — respondeu Samuel. — Você rejeitou as ordens de Deus, o Senhor, e por isso ele também o rejeitou como rei de Israel.
27 Então Samuel virou-se para sair. Mas Saul o segurou pela barra da capa, e ela se rasgou.

28 E Samuel disse:
— Hoje Deus rasgou das suas mãos o Reino de Israel e o deu a alguém que é melhor do que você.

29 O glorioso Deus de Israel não mente, nem muda de ideia. Ele não é um ser humano e por isso não se arrepende.

30 — Eu pequei! — repetiu Saul. — Mas pelo menos me respeite na frente dos líderes e de todo o povo de Israel. Volte comigo para que eu possa adorar o Senhor, seu Deus.

31 Então Samuel voltou com ele, e Saul adorou a Deus, o Senhor.

32 E Samuel ordenou:
— Tragam aqui o rei Agague.
Tremendo de medo, Agague foi até o lugar onde Saul estava e disse:
— Como é amargo morrer!

33 Samuel disse:
— Assim como a sua espada fez muitas mães ficarem sem filhos, agora também a sua mãe vai ficar sem o seu filho.
Em seguida Samuel cortou Agague em pedaços, em Gilgal, em frente do altar.
34 Aí Samuel foi para Ramá, e Saul voltou para a sua casa em Gibeá. 35 E nunca mais Samuel tornou a ver Saul, mas ficou com muita pena dele. E o Senhor Deus se arrependeu de ter colocado Saul como rei de Israel.



1 Samuel 16

Davi é ungido rei

1 O Senhor Deus disse a Samuel:
— Até quando você vai continuar a ter pena de Saul? Eu não quero mais que ele seja rei de Israel. Encha um chifre com azeite e leve com você. Depois vá a Belém, até a casa de um homem chamado Jessé, pois eu escolhi um dos filhos dele para ser rei.

2 — Como posso fazer isso? — respondeu Samuel. — Se Saul souber disso, ele me mata!
O Senhor Deus respondeu:
— Leve um bezerro e diga que você foi lá para oferecer um sacrifício ao Senhor.

3 Convide Jessé para o sacrifício, e depois eu lhe digo o que fazer. Você ungirá como rei aquele que eu indicar.

4 Samuel fez o que o Senhor Deus havia mandado e foi a Belém. Quando chegou lá, os líderes da cidade foram tremendo encontrá-lo e perguntaram:
— A sua visita é de paz?

5 — Sim! — respondeu ele. — Eu vim oferecer um sacrifício a Deus. Purifiquem-se e venham comigo.
Ele mandou que Jessé e os seus filhos se purificassem e os convidou para o sacrifício.

6 Quando eles chegaram, Samuel viu Eliabe, um dos filhos de Jessé, e pensou:
— Este homem que está aqui na presença de Deus, o Senhor, certamente é aquele que o Senhor escolheu.

7 Mas o Senhor disse:
— Não se impressione com a aparência nem com a altura deste homem. Eu o rejeitei porque não julgo como as pessoas julgam. Elas olham para a aparência, mas eu vejo o coração.

8 Então Jessé chamou o seu filho Abinadabe e o levou a Samuel. Mas Samuel disse:
— Este também não foi escolhido pelo Senhor.

9 Aí Jessé trouxe o seu filho Simeia. E Samuel disse:
— O Senhor Deus também não escolheu este.

10 Assim Jessé apresentou a Samuel sete dos seus filhos. E Samuel disse:
— O Senhor Deus não escolheu nenhum destes.

11 E perguntou a Jessé:
— Você não tem mais nenhum filho?
Jessé respondeu:
— Tenho mais um, o caçula, mas ele está fora, tomando conta das ovelhas.
— Então mande chamá-lo! — disse Samuel. — Nós não vamos oferecer o sacrifício enquanto ele não vier.

12 Aí Jessé mandou buscá-lo. Era um belo rapaz, saudável e de olhos brilhantes. E o Senhor disse a Samuel:
— É este mesmo. Unja-o.

13 Samuel pegou o chifre cheio de azeite e ungiu Davi na frente dos seus irmãos. E o Espírito do Senhor dominou Davi e daquele dia em diante ficou com ele. E Samuel voltou para Ramá.



Davi e Saul

14 O Espírito do Senhor saiu de Saul, e um espírito mau, mandado por Deus, começou a atormentá-lo.

15 Então os empregados de Saul lhe disseram:
— Sabemos que um espírito mau mandado por Deus está atormentando o senhor.

16 Mande, e nós iremos procurar um homem que saiba tocar lira. Assim, quando o espírito mau vier sobre o senhor, o homem tocará a lira, e o senhor ficará bom de novo.

17 E Saul ordenou:
— Procurem um homem que toque bem lira e o tragam aqui.

18 Um dos empregados respondeu:
— Jessé, da cidade de Belém, tem um filho que é bom músico. Ele também é valente, bom soldado, fala bem, tem boa aparência, e o Senhor Deus está com ele.

19 Aí Saul enviou mensageiros com este recado para Jessé:
— Mande-me o seu filho Davi, aquele que toma conta das ovelhas.
20 Então Jessé mandou Davi a Saul, e Davi levou de presente um odre cheio de vinho, um cabrito e um jumento carregado de pão. 21 Davi foi e ficou trabalhando para Saul. Este gostou muito de Davi e o escolheu para carregar as suas armas.

22 E mandou a seguinte mensagem a Jessé:
— Eu gostei de Davi. Deixe que ele fique aqui a meu serviço.
23 Daí em diante, toda vez que o espírito mau mandado por Deus vinha sobre Saul, Davi pegava a sua lira e tocava. O espírito mau saía de Saul, e ele se sentia melhor e ficava bom novamente.

1º Samuel 9 a 12 (dia 62)

1 Samuel 9

Saul se encontra com Samuel

1 Havia um homem chamado Quis, que era da tribo de Benjamim. Ele era filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afias. Quis era rico e importante.

2 Tinha um filho jovem e bonito, chamado Saul. Não havia ninguém mais bonito do que ele entre todos os israelitas. Além disso era mais alto do que todos. Quando estava no meio do povo, ele aparecia dos ombros para cima.

3 E aconteceu que algumas jumentas que pertenciam a Quis, o pai de Saul, se perderam. Então ele disse a Saul:
— Filho, leve com você um dos nossos empregados e vá procurar as jumentas.
4 Eles foram por toda a região montanhosa de Efraim e pela terra de Salisa, porém não acharam as jumentas. Então procuraram na terra de Saalim, porém elas não estavam lá. Aí procuraram no território da tribo de Benjamim, mas também não as encontraram.

5 Quando entraram na terra de Zufe, Saul disse ao empregado:
— Vamos voltar para casa; se não, em vez de se preocupar com as jumentas, o meu pai vai acabar se preocupando com a gente.

6 O empregado respondeu:
— Espere. Nesta cidade mora um homem santo que é muito respeitado porque tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele possa nos dizer onde podemos encontrar as jumentas.

7 Saul perguntou:
— Se formos lá, o que vamos levar para ele? Não há comida nas nossas sacolas, e não temos nada para lhe dar. Ou será que temos?

8 O empregado respondeu:
— Tenho uma pequena quantia de prata que posso dar a ele para que nos conte onde poderemos achar as jumentas.

9-11 — É uma boa ideia! — respondeu Saul. — Vamos.
Então eles foram à cidade onde o homem santo morava. Quando estavam subindo o morro para chegar à cidade, encontraram algumas moças que estavam saindo para tirar água. Eles perguntaram:
— O vidente está na cidade?
(Antigamente, quando alguém queria fazer uma pergunta a Deus, costumava dizer: “Vamos falar com o vidente.” Porque naquele tempo os profetas eram chamados de videntes.)
12 — Ele está, sim! — responderam elas. — Olhem! Ali vai ele, ali na frente. Andem depressa. Ele está entrando na cidade porque o povo vai oferecer hoje um sacrifício no altar do monte.

13 Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão antes que ele suba o monte para comer. O povo não começa a comer antes que ele chegue lá, pois primeiro ele tem de abençoar o sacrifício. Só depois é que os convidados podem comer. Subam lá agora e logo vocês o encontrarão.

14 Então eles foram até a cidade. Quando iam entrando, viram Samuel, que saía para subir até o lugar de adoração.

15 Um dia antes de Saul chegar, o Senhor Deus tinha dito a Samuel:

16 — Amanhã, a esta hora, eu vou enviar a você um homem da tribo de Benjamim. Você o ungirá para ser o governador do meu povo de Israel. Ele libertará o povo do domínio dos filisteus. Eu tenho visto o sofrimento do meu povo e ouvido os seus pedidos de ajuda.

17 Quando Samuel viu Saul, o Senhor lhe disse:
— Este é o homem de quem lhe falei. Ele governará o meu povo.

18 Saul foi encontrar-se com Samuel, perto do portão, e perguntou:
— Por favor, onde mora o vidente?

19 Samuel respondeu:
— Eu sou o vidente. Vá adiante de mim até o lugar de adoração. Vocês dois vão jantar comigo hoje. Amanhã cedo eu responderei a todas as suas perguntas, e então vocês poderão ir embora.

20 E não se preocupe com as jumentas que se perderam há três dias, pois elas já foram encontradas. Afinal, quem é que o povo de Israel está querendo? Eles querem é você — você e a família do seu pai.

21 Saul respondeu:
— Eu sou da tribo de Benjamim, a menor de Israel, e a minha família é a menos importante da tribo. Então por que o senhor está falando comigo desse jeito?
22 Aí Samuel levou Saul e o seu empregado para o salão de festas e pediu que os dois sentassem à cabeceira da mesa. Ao redor dessa mesa estavam sentados mais ou menos trinta convidados.

23 E Samuel disse ao cozinheiro:
— Traga aquele pedaço de carne que eu lhe entreguei e pedi para deixar reservado.

24 O cozinheiro pegou o melhor pedaço da perna e o pôs na frente de Saul.
Samuel disse:
— Olhe! Aqui está o pedaço que foi reservado para você. Coma-o, pois foi guardado para você comer nesta ocasião em que convidei o povo.
E assim, naquele dia, Saul jantou com Samuel. 25 Depois os dois desceram do lugar de adoração para a cidade. Aí arrumaram uma cama para Saul no terraço,

26 e ele dormiu ali.



Samuel unge Saul

De madrugada Samuel foi ao terraço e chamou Saul, dizendo:
— Levante-se, que está na hora de ir. Eu vou acompanhar você um pouco.
Saul levantou-se e saiu junto com Samuel para a rua.

27 Quando chegaram à saída da cidade, Samuel disse a Saul:
— Diga ao seu empregado que vá na frente e você espere aqui um instante.
O empregado foi, e Samuel disse a Saul:
— Eu tenho um recado de Deus para você.



1 Samuel 10

1 Samuel tinha levado consigo um frasco de azeite. Ele derramou o azeite na cabeça de Saul, beijou-o e disse:
— O Senhor Deus está ungindo você como o chefe do seu povo, o povo de Israel. Você o governará e o livrará de todos os seus inimigos. Esta é a prova de que Deus o escolheu para ser o chefe do seu povo:

2 Hoje, quando você for embora, encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel, em Zelza, no território da tribo de Benjamim. Eles vão contar a você que já foram achadas as jumentas que estavam perdidas. Contarão também que agora o seu pai não está mais preocupado com elas e sim com você; e que ele está dizendo: “Que posso fazer para encontrar meu filho?”
3 — Você deve seguir até chegar à árvore sagrada que fica em Tabor. Ali você vai encontrar três homens que estarão indo a Betel, para lá oferecerem sacrifício a Deus. Um deles estará carregando três cabritos; o outro, três pães; e o terceiro, um odre de vinho. 4 Eles vão cumprimentar você e vão lhe oferecer dois pães. E você deve aceitar. 5 Em seguida você irá para o monte de Deus, em Gibeá, onde há um acampamento dos filisteus. Na entrada da cidade vai encontrar um grupo de profetas descendo o morro, vindos do altar. Eles estarão tocando harpas, tambores, flautas e liras. E estarão profetizando. 6 Então o Espírito do Senhor dominará você, e você vai agir como um profeta junto com eles e ficará uma pessoa diferente. 7 Quando isso acontecer, faça tudo o que tiver de fazer, pois Deus estará com você.

8 Vá na minha frente para Gilgal. Eu me encontrarei com você lá e oferecerei sacrifícios que serão completamente queimados e ofertas de paz. Espere lá sete dias até que eu chegue e diga o que você deve fazer.
9 Deus mudou o coração de Saul no momento em que ele se despediu de Samuel. E naquele dia aconteceu tudo o que Samuel tinha dito.

10 Quando Saul e o seu empregado chegaram a Gibeá, um grupo de profetas o encontrou. O Espírito de Deus tomou conta de Saul, e ele se juntou a eles, agindo como um profeta.

11 Algumas pessoas que o conheciam viram isso e perguntavam:
— O que aconteceu com o filho de Quis? Será que Saul virou profeta?

12 Um homem que morava ali perguntou:
— E os outros? Será que os pais deles são profetas?
Foi assim que surgiu o seguinte ditado: “Será que Saul também virou profeta?”
13 Quando Saul acabou de profetizar, foi para o altar, no monte.

14 O tio de Saul perguntou a ele e ao seu empregado:
— Onde foi que vocês estiveram?
— Estávamos procurando as jumentas! — respondeu Saul. — E, como não as encontramos, fomos falar com Samuel.

15 — E o que foi que ele disse? — perguntou o tio.

16 — Ele nos disse que os animais já haviam sido encontrados! — respondeu Saul. Porém não contou ao tio o que Samuel tinha dito a respeito de ele se tornar rei.



1 Samuel 11

Saul derrota os amonitas

1 Mais ou menos um mês depois, Naás, o rei dos amonitas, marchou contra a cidade de Jabes, na terra de Gileade. O exército de Naás cercou a cidade, e então os homens de Jabes lhe disseram:
— Vamos fazer um acordo e nós o aceitaremos como chefe.

2 Naás respondeu:
— Eu faço um acordo, mas com a seguinte condição: furarei o olho direito de todos vocês e assim humilharei todo o povo de Israel.

3 Os líderes de Jabes disseram:
— Dê-nos sete dias para mandar mensageiros por toda a terra de Israel. Se ninguém vier nos ajudar, então nos entregaremos a você.
4 Os mensageiros chegaram a Gibeá, onde Saul morava. Quando deram as notícias, o povo começou a chorar de desespero.

5 Naquela hora Saul vinha chegando do campo com o gado e perguntou:
— O que foi que houve? Por que todos estão chorando?
Eles lhe contaram o que os mensageiros de Jabes tinham dito. 6 Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus o dominou, e ele ficou furioso.

7 Pegou dois bois, cortou-os em pedaços e mandou-os por meio de mensageiros a toda a terra de Israel, com a seguinte mensagem:
— É isso o que acontecerá com os bois dos que não seguirem Saul e Samuel na batalha!
O povo de Israel ficou com medo do que o Senhor poderia fazer, e então todos vieram, com um só pensamento, para seguir Saul. 8 Saul os reuniu e os levou de Bezeque. Havia trezentos mil homens de Israel e trinta mil de Judá.

9 Eles disseram aos mensageiros de Jabes:
— Digam ao seu povo que amanhã, antes do meio-dia, vocês receberão socorro.
O povo de Jabes ficou muito alegre quando recebeu a mensagem.

10 Então eles disseram aos amonitas:
— Amanhã nós nos entregaremos, e vocês poderão fazer com a gente o que quiserem.

11 Na manhã seguinte Saul dividiu os seus homens em três grupos. Ao amanhecer eles avançaram sobre o acampamento amonita e o atacaram. Lá pelo meio-dia já haviam massacrado os inimigos. E os que escaparam se espalharam, cada um fugindo para um lado.

12 Então o povo de Israel disse a Samuel:
— Onde estão as pessoas que disseram que Saul não seria o nosso rei? Traga essa gente aqui, que nós os mataremos.

13 Mas Saul respondeu:
— Ninguém será morto neste dia porque hoje o Senhor Deus deu a vitória ao povo de Israel.

14 E Samuel disse ao povo:
— Vamos todos a Gilgal e lá confirmaremos Saul como nosso rei.
15 Então foram todos a Gilgal e lá, no lugar sagrado, fizeram de Saul o seu rei. Ofereceram sacrifícios de paz, e Saul e todo o povo de Israel festejaram o acontecimento.



1 Samuel 12

A mensagem de despedida de Samuel

1 Então Samuel disse aos israelitas:
— Eu fiz o que me pediram: dei a vocês um rei para governá-los. 2 Agora vocês têm um rei que os guiará. Quanto a mim, já estou velho, de cabelos brancos, e os meus filhos estão com vocês. Fui o seu líder desde a minha mocidade, até hoje.

3 Aqui estou eu. Se fiz alguma coisa errada, me acusem agora, na presença do Senhor Deus e do rei que ele escolheu. Por acaso, tomei o boi ou o jumento de alguém? Enganei ou persegui alguém? Recebi dinheiro de alguém para torcer a justiça? Se fiz alguma dessas coisas, eu devolverei o que tirei.

4 O povo respondeu:
— O senhor não nos enganou, nem nos perseguiu e não tomou nada de ninguém.

5 Samuel disse:
— O Senhor e o rei que ele escolheu são testemunhas de que hoje vocês acharam que estou completamente inocente de qualquer acusação.
— Sim, o Senhor é testemunha! — responderam eles.

6 E Samuel continuou:
— O Senhor é testemunha, ele que escolheu Moisés e Arão e trouxe do Egito os antepassados de vocês. 7 Fiquem agora onde estão, e eu os acusarei diante de Deus, o Senhor, e os farei lembrar de todas as coisas poderosas que ele fez para salvar vocês e os seus antepassados. 8 Quando Jacó e a sua família foram para o Egito, os egípcios os escravizaram, e eles, os antepassados de vocês, pediram ajuda ao Senhor. Então ele mandou Moisés e Arão, que os tiraram do Egito e os colocaram nesta terra. 9 Mas os antepassados de vocês esqueceram o Senhor, nosso Deus. Por isso ele deixou que Sísera, o comandante do exército da cidade de Hazor, e os filisteus e o rei de Moabe lutassem contra eles e os vencessem. 10 Aí eles gritaram pedindo ajuda a Deus, o Senhor, dizendo: “Ó Deus, nós pecamos, pois te deixamos e adoramos o deus Baal de várias cidades e também Astarote. Mas agora livra-nos dos nossos inimigos, e nós te adoraremos.” 11 Então o Senhor enviou Gideão, Baraque, Jefté e Samuel, que os libertaram dos seus inimigos, e assim vocês viveram em segurança.

12 E, quando viram que o rei Naás, de Amom, ia atacá-los, vocês rejeitaram o Senhor, nosso Deus, como rei e me disseram: “Nós queremos um rei para nos governar.”
13 — Agora, aqui está o rei que vocês escolheram. Vocês pediram, e o Senhor Deus deu esse rei. 14 Tudo correrá bem para vocês se temerem o Senhor, nosso Deus, se o adorarem, se o ouvirem, se obedecerem às suas ordens, e se vocês e o seu rei o seguirem. 15 Porém, se não ouvirem o Senhor e se desobedecerem às suas ordens, ele ficará contra vocês e contra o seu rei. 16 Fiquem agora onde estão e vocês verão que coisa maravilhosa o Senhor vai fazer.

17 Estamos na época da seca, e o trigo está sendo colhido, não é mesmo? Pois eu vou orar, e o Senhor vai mandar trovões e chuva. Quando vocês virem isso acontecer, compreenderão que cometeram um grande pecado contra Deus, o Senhor, quando pediram um rei.
18 Aí Samuel orou, e no mesmo dia o Senhor mandou trovões e chuva. Então todo o povo ficou com medo do Senhor e de Samuel.

19 Eles disseram a Samuel:
— Por favor, ore por nós ao Senhor, seu Deus, e assim nós não morreremos. Além de todos os nossos pecados, ainda pecamos ao pedir um rei.
20 — Não fiquem com medo! — respondeu Samuel. — Embora vocês tenham feito uma coisa tão má, não deixem de adorar o Senhor, nosso Deus, mas sirvam a ele com todo o coração. 21 Não andem atrás de deuses falsos. Eles não podem ajudar, nem salvar vocês, pois não são verdadeiros. 22 Deus, o Senhor, pela honra do seu nome, prometeu que não vai abandoná-los, pois resolveu fazer com que vocês sejam o povo dele. 23 Quanto a mim, não deixarei de orar por vocês, pois do contrário estaria pecando contra o Senhor. E eu lhes ensinarei o caminho bom e direito. 24 Temam o Senhor e sirvam a ele fielmente, com todo o coração. Lembrem das grandes coisas que ele fez por vocês. 25 Mas, se vocês continuarem a fazer o mal, certamente tanto vocês como o seu rei serão destruídos.

1º Samuel 5 a 8 (dia 61)

1 Samuel 5

A arca na terra dos filisteus

1 Depois de tomarem a arca de Deus, os filisteus a levaram de Ebenézer para a cidade de Asdode. 2 Eles a colocaram no templo do seu deus Dagom, perto da sua imagem. 3 No dia seguinte, de manhã, os moradores de Asdode viram que a imagem de Dagom estava caída de cara no chão, na frente da arca da aliança. Então eles pegaram a imagem e a puseram de volta no seu lugar. 4 No dia seguinte, de manhã, viram que ela estava caída de novo na frente da arca. A cabeça e os dois braços da imagem estavam quebrados, caídos na soleira da porta; somente o corpo estava inteiro.

5 É por isso que até hoje os sacerdotes de Dagom e todos os que o adoram em Asdode não pisam aquele lugar.
6 E o Senhor Deus castigou duramente o povo de Asdode. Fez com que todo o povo dali e da vizinhança ficasse cheio de tumores.

7 Quando eles viram isso, disseram:
— O Deus de Israel está castigando a nós e ao nosso deus Dagom. Não podemos mais deixar que a arca do Deus de Israel fique aqui.

8 Então mandaram que alguns mensageiros fossem chamar todos os cinco governadores filisteus e lhes perguntaram:
— Que vamos fazer com a arca do Deus de Israel?
— Levem para a cidade de Gate! — responderam eles.
Então os filisteus a levaram para lá. 9 Mas, depois que a arca chegou ali, o Senhor Deus castigou a cidade e pôs medo nos seus moradores. Apareceram tumores em todas as pessoas da cidade, tanto nas mais importantes como nas mais humildes.

10 Então enviaram a arca da aliança para a cidade de Ecrom. Quando a arca chegou lá, o povo começou a gritar:
— Trouxeram a arca do Deus de Israel para cá; eles querem acabar com a gente!

11 Então mandaram que alguns mensageiros dissessem a todos os governadores filisteus:
— Mandem a arca do Deus de Israel de volta ao seu lugar, para que ela não mate a nós e às nossas famílias.
Houve morte e destruição em toda a cidade, por causa do castigo severo de Deus. 12 Os que não morreram ficaram cheios de tumores, e os gritos dos moradores da cidade subiram até o céu.



1 Samuel 6

A volta da arca da aliança

1 Já fazia sete meses que a arca da aliança estava na terra dos filisteus.

2 Aí eles chamaram os seus sacerdotes e os seus mágicos e perguntaram:
— Que faremos com a arca do Senhor? Se a mandarmos de volta, o que devemos enviar junto com ela?

3 Eles responderam:
— Se vocês mandarem de volta a arca do Deus de Israel, não a enviem sem uma oferta. Mandem junto uma oferta para pagar pelo pecado de vocês. Assim vocês serão curados e saberão por que motivo ele continuou a castigá-los.

4 — Que oferta devemos mandar? — perguntaram os filisteus.
Os sacerdotes e os mágicos responderam:
— Mandem cinco tumores feitos de ouro e cinco ratos também de ouro, de acordo com o número dos governadores filisteus. Pois os cinco governadores foram atingidos pela mesma praga que caiu sobre vocês. 5 Façam imitações dos tumores e dos ratos que estão destruindo a nossa terra e deem como presente em homenagem ao Deus de Israel. Assim ele talvez pare de castigar vocês, os seus deuses e a sua terra. 6 Por que razão vocês seriam tão teimosos quanto o rei do Egito e os egípcios? Não esqueçam que Deus zombou deles até que eles deixaram os israelitas saírem do Egito. 7 Façam o seguinte: arranjem duas vacas que ainda não puxaram carroça e amarrem as duas a uma carroça nova. Depois toquem os bezerros delas para o curral. 8 Então peguem a arca do Senhor Deus e a coloquem na carroça. Ponham também numa caixa, ao lado da arca, as imitações de ouro que vocês vão mandar ao Deus de Israel como ofertas para pagamento pelos seus pecados. Aí toquem as vacas para a frente e deixem que elas vão para onde quiserem.

9 E prestem atenção. Se a carroça for na direção da cidade de Bete-Semes, isso quer dizer que foi o Deus dos israelitas que nos mandou este grande mal. Mas, se isso não acontecer, então quer dizer que não foi ele quem mandou esta praga, e sim que ela veio por acaso.
10 E os filisteus fizeram o que os seus sacerdotes e mágicos haviam dito: pegaram duas vacas e as amarraram à carroça e prenderam os bezerros no curral. 11 Depois puseram a arca do Senhor Deus na carroça, junto com a caixa onde estavam os ratos e os tumores de ouro.

12 Então as vacas foram diretamente para a cidade de Bete-Semes, andando e mugindo, sem se desviar do caminho. E os cinco governadores filisteus as seguiram até a divisa de Bete-Semes.
13 O povo de Bete-Semes estava colhendo trigo no vale. De repente, eles olharam e viram a arca da aliança e ficaram muito alegres. 14 A carroça puxada pelas vacas chegou até a plantação de Josué, de Bete-Semes, e parou perto de uma grande pedra. Então os moradores dali cortaram em pedaços a carroça de madeira, mataram as vacas e as queimaram em sacrifício a Deus, o Senhor. 15 Os levitas pegaram a arca do Senhor e a caixa com as imitações de ouro e puseram em cima da grande pedra. Naquele dia o povo de Bete-Semes apresentou ao Senhor ofertas que foram completamente queimadas e também sacrifícios de animais.

16 Os cinco governadores filisteus viram isso e no mesmo dia voltaram para Ecrom.
17 Os filisteus mandaram a Deus, o Senhor, os cinco tumores de ouro como oferta em pagamento pelos seus pecados — um por cidade: Asdode, Gaza, Asquelom, Gate e Ecrom.

18 Mandaram também cinco ratos de ouro, de acordo com o número das cidades governadas pelos cinco governadores filisteus, isto é, as cinco cidades protegidas por muralhas e os povoados que ficavam ao seu redor. Na plantação de Josué, que era natural de Bete-Semes, a arca de Deus foi colocada em cima de uma grande pedra, e essa pedra ainda está ali como prova do que aconteceu.

19 Setenta homens de Bete-Semes olharam para dentro da arca da aliança, e por isso o Senhor os matou. E o povo chorou por causa dessa grande matança que Deus fez entre eles.



A arca na cidade de Jearim

20 Então os moradores de Bete-Semes disseram:
— Quem pode ficar diante do Senhor, esse Deus tão santo? Para onde mandaremos a sua arca a fim de que ele fique longe de nós?

21 Aí enviaram mensageiros para dizerem ao povo da cidade de Jearim:
— Os filisteus devolveram a arca da aliança do Senhor. Desçam até aqui e levem a arca.



1 Samuel 7

1 Então os homens da cidade de Jearim foram até lá e levaram a arca do Senhor. Eles a colocaram na casa de Abinadabe, que ficava num morro. E escolheram e separaram o seu filho Eleazar para tomar conta dela.



Samuel governa Israel

2 A arca da aliança ficou na cidade de Jearim bastante tempo, isto é, mais ou menos vinte anos. Durante esse tempo todos os israelitas oravam a Deus, o Senhor, pedindo ajuda.

3 Samuel disse ao povo de Israel:
— Se vocês querem com todo o coração voltar a Deus, o Senhor, joguem fora todos os deuses estrangeiros e as imagens da deusa Astarote. Dediquem-se completamente ao Senhor e adorem somente a ele. E ele livrará vocês do poder dos filisteus.

4 Aí os israelitas jogaram fora as suas várias imagens de Baal e também as de Astarote e adoraram somente a Deus, o Senhor.
5 Então Samuel mandou que todos os israelitas se reunissem em Mispa. E prometeu que ali oraria por eles ao Senhor.

6 Assim todos eles se reuniram em Mispa. Tiraram água e a derramaram em oferta ao Senhor, jejuaram o dia todo e disseram:
— Nós pecamos contra Deus, o Senhor.
E ali em Mispa Samuel julgava e governava o povo de Israel.
7 Quando os filisteus souberam que os israelitas haviam se reunido em Mispa, os cinco governadores filisteus saíram com os seus homens para atacá-los. Os israelitas souberam disso e ficaram com medo.

8 E disseram a Samuel:
— Não pare de orar ao Senhor, nosso Deus, pedindo que ele nos livre do domínio dos filisteus.
9 Então Samuel matou um carneirinho e queimou todo ele como sacrifício a Deus, o Senhor. Pediu que o Senhor ajudasse o povo de Israel, e ele respondeu à sua oração. 10 Enquanto Samuel estava oferecendo o sacrifício, os filisteus avançaram contra os israelitas. Mas o Senhor os atacou com fortes trovoadas. Então eles ficaram em completa confusão e fugiram. 11 Os israelitas saíram de Mispa e perseguiram os filisteus até Bete-Car, matando-os pelo caminho.

12 Aí Samuel pegou uma pedra, pôs entre Mispa e Sem e disse:
— Até aqui o Senhor Deus nos ajudou.
Por isso deu a ela o nome de Ebenézer. 13 Assim os filisteus foram derrotados, e o Senhor Deus não deixou que eles invadissem a terra de Israel enquanto Samuel viveu.

14 Todas as cidades que os filisteus haviam tomado, desde Ecrom até Gate, foram devolvidas ao povo de Israel. Dessa maneira os israelitas receberam de volta toda a sua terra. E também houve paz entre os israelitas e os amorreus.
15 Até o fim da sua vida Samuel foi chefe e juiz do povo de Israel. 16 Todos os anos ele ia a Betel, Gilgal e Mispa e nesses lugares resolvia as questões que o povo lhe apresentava. 17 Depois voltava para a sua casa na cidade de Ramá, onde também era juiz. E em Ramá Samuel construiu um altar para Deus, o Senhor.



1 Samuel 8

O povo pede um rei

1 Quando Samuel ficou velho, pôs os seus filhos como juízes de Israel. 2 O seu filho mais velho se chamava Joel, e o mais novo, Abias. Eles eram juízes na cidade de Berseba.

3 Porém não seguiram o exemplo do pai. Estavam interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça.
4 Então todos os líderes de Israel se reuniram e foram falar com Samuel, em Ramá.

5 Eles disseram:
— Olhe! Você já está ficando velho, e os seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, queremos que nos arranje um rei para nos governar, como acontece em outros países.
6 Samuel não gostou do pedido deles. Então orou a Deus, o Senhor,

7 e ele respondeu assim:
— Atenda o pedido do povo. Não é só você que eles rejeitaram; eles rejeitaram a mim como Rei. 8 Desde que eu os trouxe do Egito, eles sempre me têm abandonado e têm adorado outros deuses. Agora estão fazendo com você o que sempre fizeram comigo.

9 Portanto, atenda o pedido deles. Mas avise essa gente, explicando com toda a clareza como o rei vai tratá-los.
10 Então Samuel explicou ao povo tudo o que o Senhor lhe tinha dito.

11 Ele disse:
— O rei os tratará assim: tomará os filhos de vocês para serem soldados; porá alguns para servirem nos seus carros de guerra, outros na cavalaria e outros para correrem adiante dos carros. 12 Colocará alguns deles como oficiais encarregados de mil soldados, e outros encarregados de cinquenta. Os seus filhos terão de cultivar as terras dele, fazer as suas colheitas e fabricar as suas armas e equipamentos para os seus carros de guerra. 13 As filhas de vocês terão de preparar os perfumes do rei e trabalhar como suas cozinheiras e padeiras. 14 Ele tomará de vocês os melhores campos, plantações de uvas, bosques de oliveiras e dará tudo aos seus funcionários. 15 Ficará com a décima parte dos cereais e das uvas, para dar aos funcionários da corte e aos outros funcionários. 16 Tomará também os empregados de vocês, o melhor gado e os melhores jumentos, para trabalharem para ele. 17 E ficará com a décima parte dos rebanhos de vocês. E vocês serão seus escravos.

18 Quando isso acontecer, vocês chorarão amargamente por causa do rei que escolheram, porém o Senhor Deus não ouvirá as suas queixas.

19 Mas o povo não se importou com o aviso de Samuel. Pelo contrário, eles disseram:
— Não adianta. Nós queremos um rei.

20 Queremos ser como as outras nações: queremos ter um rei para nos governar, para nos dirigir na guerra e lutar em nossas batalhas.
21 Samuel ouviu o que eles disseram e então foi e contou tudo a Deus, o Senhor.

22 Ele respondeu:
— Faça o que eles querem. Dê a eles um rei.
Aí Samuel pediu a todos os homens de Israel que voltassem para casa.

1º Samuel 1 a 4 (dia 60)

1 Samuel 1
 
Os pais de Samuel

1 Havia um homem da tribo de Efraim, chamado Elcana, que vivia na cidade de Ramá, na região montanhosa de Efraim. Ele era filho de Jeroão, neto de Eliú, bisneto de Toú e trineto de Zufe. 2 Elcana tinha duas mulheres, Ana e Penina. Penina tinha filhos, porém Ana não tinha. 3 Todos os anos Elcana saía da sua cidade e ia a Siló a fim de adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor Todo-Poderoso. Hofni e Fineias, os filhos de Eli, eram sacerdotes do Senhor Deus, em Siló. 4 Cada vez que Elcana oferecia o seu sacrifício, ele dava uma parte para Penina e outra para todos os seus filhos e filhas. 5 Mas para Ana ele dava duas vezes mais. Elcana a amava muito, embora o Senhor não permitisse que ela tivesse filhos. 6 Penina, sua rival, provocava e humilhava Ana porque o Senhor não permitia que ela tivesse filhos. 7 Isso acontecia ano após ano. Sempre que iam ao santuário do Senhor, Penina irritava tanto Ana, que ela ficava só chorando e não comia nada.

8 Um dia o seu marido Elcana lhe perguntou:
— Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está sempre triste? Por acaso, eu não sou melhor para você do que dez filhos?



Ana pede a Deus um filho

9 Certa vez eles estavam em Siló e tinham acabado de comer. Eli, o sacerdote, estava sentado na sua cadeira, na porta da Tenda Sagrada. 10 Aí Ana se levantou aflita e, chorando muito, orou a Deus, o Senhor.

11 E fez esta promessa solene:
— Ó Senhor Todo-Poderoso, olha para mim, tua serva! Vê a minha aflição e lembra de mim! Não esqueças a tua serva! Se tu me deres um filho, prometo que o dedicarei a ti por toda a vida e que nunca ele cortará o cabelo.
12 Ana continuou orando ao Senhor durante tanto tempo, que Eli começou a prestar atenção nela 13 e notou que os seus lábios se mexiam, porém não saía nenhum som. Ana estava orando em silêncio, mas Eli pensou que ela estava bêbada

14 e disse:
— Até quando você vai ficar embriagada? Veja se para de beber!
15 — Senhor, — respondeu ela —, eu não estou bêbada. Não bebi nem vinho nem cerveja. Estou desesperada e estava orando, contando a minha aflição ao Senhor.

16 Não pense que sou uma mulher sem moral. Eu estava orando daquele jeito porque sou muito infeliz e sofredora.

17 Então Eli disse:
— Vá em paz. Que o Deus de Israel lhe dê o que você pediu!

18 — Que o senhor sempre pense bem de mim! — respondeu ela. E saiu. Então comeu alguma coisa e já não estava tão triste.



O nascimento de Samuel

19 Na manhã seguinte Elcana e a sua família se levantaram cedo e adoraram a Deus, o Senhor. Aí voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com a sua esposa Ana, e o Senhor respondeu à oração dela.

20 Ela ficou grávida e, no tempo certo, deu à luz um filho. Pôs nele o nome de Samuel e explicou:
— Eu pedi esse filho a Deus, o Senhor.
21 Elcana e a sua família foram a Siló para oferecer ao Senhor o sacrifício anual e o sacrifício especial que ele havia prometido.

22 Ana, porém, não foi. Ela disse ao marido:
— Assim que o menino for desmamado, eu o levarei ao santuário de Deus, o Senhor, para que ele fique lá toda a sua vida.

23 Elcana respondeu:
— Faça o que achar melhor. Fique em casa até que ele seja desmamado. E o Senhor faça com que, de fato, se cumpra a promessa que você fez.
Então Ana ficou em casa e amamentou o filho.
24 Depois que ele foi desmamado, ela o levou a Siló. Levou também um touro de três anos, dez quilos de farinha e um odre cheio de vinho. Samuel era muito novo quando a sua mãe o levou à casa do Senhor, em Siló. 25 Os pais de Samuel ofereceram o touro em sacrifício e levaram o menino para Eli.

26 Ana disse:
— Meu senhor, juro pela sua vida que sou aquela mulher que o senhor viu aqui de pé, orando. 27 Eu pedi esta criança a Deus, o Senhor, e ele me deu o que pedi.

28 Por isso agora eu estou dedicando este menino ao Senhor. Enquanto ele viver, pertencerá ao Senhor.
Então eles adoraram a Deus ali.



1 Samuel 2

A oração de Ana

1 Então Ana orou assim:
O Senhor Deus encheu o meu coração de alegria;
por causa do que ele fez, eu ando de cabeça erguida.
Estou rindo dos meus inimigos
e me sinto feliz, pois Deus me ajudou.

2 Ninguém é santo como o Senhor;
não existe outro deus além dele,
e não há nenhum protetor como o nosso Deus.

3 Não fiquem contando vantagens
e não digam mais palavras orgulhosas.
Pois o Senhor é Deus que conhece
e julga tudo o que as pessoas fazem.

4 Os arcos dos soldados fortes estão quebrados,
mas os soldados fracos se tornam fortes.

5 Os que antes estavam fartos agora se empregam para ganhar comida,
mas os que tinham fome agora estão satisfeitos.
A mulher que não podia ter filhos deu à luz sete filhos,
mas a que possuía muitos filhos ficou sem nenhum.

6 O Senhor Deus é quem tira a vida e quem a dá.
É ele quem manda a pessoa para o mundo dos mortos
e a faz voltar de lá.

7 Ele faz com que alguns fiquem pobres e outros, ricos;
rebaixa uns e eleva outros.

8 Deus levanta os pobres do pó
e tira da miséria os necessitados.
Ele faz com que os pobres sejam companheiros dos príncipes
e os põe em lugares de honra.
Os alicerces da terra são de Deus, o Senhor;
ele construiu o mundo sobre eles.

9 Ele protege a vida dos que são fiéis a ele,
mas deixa que os maus desapareçam na escuridão,
pois ninguém vence pela sua própria força.

10 Os inimigos de Deus, o Senhor, serão destruídos;
ele trovejará do céu contra eles.
O Senhor julgará o mundo inteiro;
ele dará poder ao seu rei
e dará a vitória a esse rei que ele escolheu.

11 Então Elcana voltou para a sua casa, em Ramá. Mas o menino Samuel ficou em Siló, no serviço de Deus, o Senhor, como ajudante do sacerdote Eli.



Os filhos de Eli

12 Os filhos do sacerdote Eli não prestavam e não se importavam com Deus, o Senhor. 13 Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo. Quando um homem estava oferecendo o seu sacrifício, o ajudante do sacerdote vinha com um garfo de três dentes. E, enquanto a carne estava cozinhando, 14 ele enfiava o garfo dentro da panela, e tudo o que o garfo tirava ficava sendo do sacerdote. Era costume fazer isso todas as vezes que um israelita ia a Siló para oferecer sacrifícios. 15 Mas, antes mesmo de a gordura ser tirada da carne e queimada, os filhos de Eli mandavam que o ajudante do sacerdote fosse e dissesse a quem estava oferecendo o sacrifício: “Me entregue um pedaço de carne para o sacerdote assar. Ele não vai aceitar de você carne cozida, mas só carne crua.”

16 E, se o homem respondia: “Deixe que a gordura queime primeiro, depois você pode tirar o que quiser”, o ajudante do sacerdote dizia: “Não. Entregue logo essa carne. Se não, eu a tomarei à força.”

17 Assim os filhos de Eli tratavam com muito desprezo as ofertas trazidas a Deus, o Senhor. E para o Senhor o pecado desses moços era muito grave.



Samuel em Siló

18 Samuel continuava no serviço de Deus, o Senhor. Embora ainda fosse menino, vestia um manto sacerdotal de linho. 19 Ana, a sua mãe, todos os anos fazia uma túnica para ele e a levava quando ia com o seu marido oferecer o sacrifício anual.

20 Então Eli abençoava Elcana e a sua mulher e dizia:
— Que o Senhor Deus dê a você e a Ana, a sua mulher, outros filhos para tomarem o lugar do que foi dedicado a ele!
Depois eles voltavam para casa.

21 E o Senhor abençoou Ana, e ela teve mais três filhos e duas filhas. E o menino Samuel crescia no serviço de Deus, o Senhor.



Eli e os seus filhos

22 Eli já estava muito velho. Ele ouvia falar de tudo o que os seus filhos faziam aos israelitas e também que eles estavam tendo relações com as mulheres que trabalhavam na entrada da Tenda Sagrada.

23 Então Eli disse:
— Por que é que vocês estão fazendo essas coisas? Todos me falam do mal que vocês estão praticando. 24 Parem com isso, meus filhos! Eu estou ouvindo o povo do Senhor Deus dizer coisas terríveis a respeito de vocês!

25 Se uma pessoa peca contra outra, o Senhor pode defendê-la. Mas quem pode defender aquele que peca contra Deus?
Mas eles não ouviram o pai, pois o Senhor havia resolvido matá-los.

26 E o menino Samuel continuava a crescer, e tanto o Senhor como as pessoas gostavam cada vez mais dele.



A profecia contra a família de Eli

27 Então um profeta procurou Eli e lhe deu esta mensagem de Deus, o Senhor:
— Eu me revelei ao seu antepassado Arão quando ele e a sua família eram escravos no Egito. 28 Você sabe que eu os escolhi, entre todas as tribos de Israel, para serem meus sacerdotes, servirem no altar, queimarem incenso e usarem o manto sacerdotal na minha presença. E dei a eles o direito de ficarem com uma parte dos sacrifícios queimados no altar. 29 Por que é que vocês olham com tanta ganância para os sacrifícios e ofertas que eu ordenei que me fossem feitos? Eli, por que você honra os seus filhos mais do que a mim, deixando que eles engordem, comendo a melhor parte de todos os sacrifícios que o meu povo me oferece? 30 Eu, o Senhor, o Deus de Israel, prometi no passado que a sua família e os seus descendentes me serviriam para sempre como sacerdotes. Mas agora eu digo que isso não vai continuar. Pois respeitarei os que me respeitam, mas desprezarei os que me desprezam. 31 Olhe! Está chegando o tempo em que eu matarei todos os moços da sua família e da família do seu pai para que nenhum homem da sua família chegue a ficar velho. 32 Você passará dificuldades e terá inveja de todas as coisas boas que vou dar ao povo de Israel, mas ninguém da sua família chegará a ficar velho. 33 Deixarei vivo apenas um dos seus descendentes, que será meu sacerdote. Mas ele ficará cego e perderá toda a esperança. E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta. 34 Hofni e Fineias, os seus dois filhos, morrerão no mesmo dia, e isso será uma prova para você de que o que eu disse é verdade. 35 Escolherei para mim um sacerdote fiel, e ele fará tudo o que eu quero. Darei a ele descendentes que sempre estarão a serviço do rei que eu escolher. 36 E todos os outros descendentes de você que, por acaso, ficarem com vida terão de se curvar diante do rei para pedir dinheiro e comida e implorarão para ajudar os sacerdotes, a fim de terem alguma coisa para comer.



1 Samuel 3

Deus aparece a Samuel

1 Samuel ainda era menino e ajudava Eli na adoração a Deus, o Senhor. Naqueles dias poucas mensagens vinham do Senhor, e as visões também eram muito raras. 2 Certa noite Eli, já quase cego, estava dormindo no seu quarto. 3 Samuel dormia na Tenda Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava acesa.

4 Então o Senhor Deus chamou:
— Samuel, Samuel!
— Estou aqui! — respondeu ele.

5 Então correu para onde Eli estava e disse:
— O senhor me chamou? Estou aqui.
Mas Eli respondeu:
— Eu não chamei você. Volte para a cama.
E Samuel voltou.

6 Então o Senhor Deus tornou a chamar Samuel. O menino se levantou, foi aonde estava Eli e disse:
— O senhor me chamou? Estou aqui.
Mas Eli tornou a responder:
— Eu não chamei você, filho. Volte para a cama.

7 Samuel não conhecia o Senhor pois o Senhor ainda não havia falado com ele.

8 Aí o Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi aonde Eli estava e disse:
— O senhor me chamou? Estou aqui.
Então Eli compreendeu que era o Senhor quem estava chamando o menino

9 e ordenou:
— Volte para a cama e, se ele chamar você outra vez, diga: “Fala, ó Senhor, pois o teu servo está escutando!”
E Samuel voltou para a cama.

10 Então o Senhor veio e ficou ali. E, como havia feito antes, disse:
— Samuel, Samuel!
— Fala, pois o teu servo está escutando! — respondeu Samuel.

11 E o Senhor disse:
— Eu vou fazer com o povo de Israel uma coisa tão terrível, que todos os que ouvirem a respeito disso ficarão apavorados. 12 Naquele dia farei contra Eli tudo o que disse a respeito da família dele, do começo até o fim. 13 Eu lhe disse que ia castigar a sua família para sempre porque os seus filhos disseram coisas más contra mim. Eli sabia que eu ia fazer isso, mas não os fez parar.

14 Por isso, juro à família de Eli que nenhum sacrifício ou oferta poderá apagar o seu terrível pecado.
15 Samuel ficou na cama até de manhã. Aí se levantou e abriu os portões da área da Tenda Sagrada. Ele estava com medo de falar com Eli sobre a visão que havia tido.

16 Mas Eli o chamou:
— Samuel, meu filho!
— Estou aqui! — respondeu ele.

17 — O que foi que Deus lhe disse? — perguntou Eli. — Não esconda nada de mim. Deus o castigará severamente se você não me contar tudo o que ele disse.

18 Então Samuel contou tudo, sem esconder nada. E Eli disse:
— Ele é Deus, o Senhor. Que ele faça tudo o que achar melhor!
19 E Samuel cresceu. O Senhor estava com ele e fazia tudo o que Samuel dizia que ia acontecer. 20 Assim todo o povo de Israel, do Norte ao Sul do país, ficou sabendo que Samuel era, de fato, um profeta do Senhor. 21 O Senhor continuou a aparecer em Siló, onde havia se revelado a Samuel e falado com ele. E a palavra de Samuel era respeitada por todo o povo de Israel.



1 Samuel 4

Os filisteus tomam a arca da aliança

1 Naqueles dias o povo de Israel foi lutar contra os filisteus. Os israelitas acamparam em Ebenézer, e os filisteus, em Afeca. 2 Os filisteus se aprontaram e entraram na luta. Eles venceram os israelitas, matando no campo de batalha mais ou menos quatro mil soldados.

3 Quando aqueles que tinham escapado voltaram ao acampamento, os líderes do povo de Israel disseram:
— Por que é que o Senhor Deus deixou que os filisteus nos vencessem hoje? Vamos trazer de Siló para cá a arca da aliança, para que assim o Senhor esteja no meio de nós e nos salve dos nossos inimigos.

4 Então mandaram mensageiros a Siló para trazerem a arca da aliança do Senhor Todo-Poderoso, que se assenta no seu trono entre os querubins. E Hofni e Fineias, os dois filhos de Eli, vieram junto com a arca.
5 Quando a arca chegou, os israelitas gritaram tão alto, que a terra tremeu.

6 Os filisteus ouviram os gritos e disseram:
— Escutem esses gritos no acampamento dos hebreus. O que será que aconteceu?
Quando souberam que a arca da aliança do Senhor havia chegado ao acampamento hebreu,

7 os filisteus ficaram com medo e disseram:
— Um deus chegou ao acampamento dos israelitas! Ai de nós! Nunca aconteceu uma coisa assim! 8 Ai de nós! Quem poderá nos salvar destes poderosos deuses? São os deuses que atacaram os egípcios com todo tipo de pragas, no deserto.

9 Sejam corajosos, filisteus! Lutem como homens ou seremos escravos dos hebreus, como eles já foram nossos escravos. Lutem como homens!
10 Assim os filisteus lutaram. Os israelitas foram vencidos e fugiram correndo para as suas casas. E houve uma grande matança: trinta mil israelitas foram mortos.

11 Então os filisteus tomaram a arca de Deus, e Hofni e Fineias, os filhos de Eli, foram mortos.



A morte de Eli

12 Um homem da tribo de Benjamim correu desde o campo de batalha até Siló e chegou lá no mesmo dia. Para mostrar a sua tristeza, ele havia rasgado as suas roupas e posto terra na cabeça. 13 Eli estava sentado numa cadeira, perto da estrada, esperando. Ele estava muito preocupado com a arca da aliança. Quando o homem deu a notícia, toda a gente da cidade ficou apavorada e começou a chorar alto.

14 Eli ouviu os gritos e perguntou:
— Que barulho é esse?
Então o homem correu para contar as notícias a Eli. 15 Eli estava com noventa e oito anos e completamente cego.

16 O homem disse:
— Eu fugi da batalha e hoje mesmo vim correndo de lá até aqui.
— O que aconteceu, meu filho? — perguntou Eli.

17 — O povo de Israel fugiu dos filisteus! — respondeu o mensageiro. — Foi uma terrível derrota para nós. Além de tudo, os seus filhos Hofni e Fineias foram mortos, e os filisteus tomaram a arca da aliança.

18 Quando ouviu falar na arca, Eli caiu da cadeira para trás, perto do portão da cidade. Ele estava muito velho e gordo. Por isso, quando caiu, quebrou o pescoço e morreu.
Eli foi o líder do povo de Israel quarenta anos.



A morte da mulher de Fineias

19 A nora de Eli, a mulher de Fineias, estava grávida e já quase na época de ter a criança. Quando ela soube que a arca de Deus havia sido tomada e que o seu sogro e o seu marido tinham morrido, começou a ter as dores de parto e deu à luz.

20 Ela estava morrendo, mas as mulheres que a ajudavam disseram:
— Tenha coragem! Você ganhou um filho.
Ela não se interessou e não respondeu. 21 Mas deu ao menino o nome de Icabô, explicando: “A glória saiu de Israel.” Disse isso, falando da tomada da arca de Deus e da morte do seu sogro e do seu marido.

22 Ela disse:
— A glória saiu de Israel, pois a arca de Deus foi tomada pelos nossos inimigos.

Rute 1 a 4 (dia 59)

Rute 1

Elimeleque e a sua família em Moabe

1 No tempo em que Israel era governado por juízes, houve uma grande fome naquele país. Por isso um homem de Belém, cidade da região de Judá, foi com a sua mulher e os seus dois filhos morar por algum tempo num país chamado Moabe. 2 O nome desse homem era Elimeleque, e o da sua mulher, Noemi. Os dois filhos se chamavam Malom e Quiliom. Essa família era de Efrata, um povoado que ficava perto de Belém de Judá. Eles foram para Moabe e ficaram morando ali. 3 Algum tempo depois, Elimeleque morreu, e Noemi ficou com os dois filhos, 4 que casaram com moças moabitas. O nome de uma delas era Orfa, e o da outra, Rute. Quando já fazia quase dez anos que estavam morando ali,

5 Malom e Quiliom também morreram. E Noemi ficou só, sem os filhos e sem o marido.



A volta para Belém

6 Um dia Noemi soube que o Senhor tinha ajudado o seu povo, dando-lhe boas colheitas. Então ela se aprontou para sair de Moabe com as suas noras. 7 Elas saíram a fim de voltar para Judá, mas no caminho

8 Noemi disse às noras:
— Voltem para casa e fiquem com as suas mães. Que o Senhor seja bom para vocês, assim como vocês foram boas para mim e para os falecidos!

9 O Senhor permita que vocês casem de novo e cada uma tenha o seu lar!
Então Noemi se despediu das suas noras com um beijo. Porém elas começaram a chorar alto

10 e disseram:
— Não! Nós não voltaremos. Nós iremos com a senhora e ficaremos com o seu povo.

11 Mas Noemi respondeu:
— Voltem, minhas filhas. Por que querem ir comigo? Vocês acham que eu ainda poderei ter filhos para casarem com vocês? 12 Voltem para casa porque já estou muito velha para casar de novo. Pois, ainda que eu tivesse esperança de casar outra vez ou mesmo que casasse esta noite e chegasse a ter filhos,

13 será que vocês iriam esperar até que eles crescessem para vocês casarem com eles? É claro que não, minhas filhas! O Senhor está contra mim, e isso me deixa muito triste, pois vocês também estão sofrendo.

14 Aí elas começaram a chorar alto outra vez. Então Orfa se despediu da sua sogra com um beijo e voltou para o seu povo. Mas Rute ficou.

15 — Veja! — disse Noemi. — A sua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses. Volte você também para casa com ela.

16 Porém Rute respondeu:
— Não me proíba de ir com a senhora, nem me peça para abandoná-la! Onde a senhora for, eu irei; e onde morar, eu também morarei. O seu povo será o meu povo, e o seu Deus será o meu Deus.

17 Onde a senhora morrer, eu morrerei também e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue se qualquer coisa, a não ser a morte, me separar da senhora!
18 Como Noemi viu que Rute estava mesmo resolvida a ir com ela, não disse mais nada.

19 E elas continuaram a viagem até Belém.
Quando chegaram lá, toda a cidade ficou agitada por causa delas. E as mulheres perguntavam:
— Esta é a Noemi?

20 Porém ela respondia:
— Não me chamem de Noemi, a Feliz. Chamem de Mara, a Amargurada, porque o Deus Todo-Poderoso me deu muita amargura.

21 Quando saí daqui, eu tinha tudo, mas o Senhor me fez voltar sem nada. Então, por que me chamar de Feliz, se o Deus Todo-Poderoso me fez sofrer e me deu tanta aflição?
22 E foi assim que Noemi voltou de Moabe, com Rute, a sua nora moabita. Elas chegaram a Belém quando a colheita de cevada estava começando.



Rute 2

Rute vai catar espigas

1 Noemi tinha um parente chamado Boaz, que era um homem rico e muito importante. Ele era da família de Elimeleque, o marido de Noemi.

2 Um dia Rute disse a Noemi:
— Deixe que eu vá até as plantações para catar as espigas que ficam caídas no chão. Talvez algum trabalhador me deixe ir atrás dele, catando as espigas que forem caindo.
— Vá, minha filha! — respondeu Noemi.

3 Então Rute foi ao campo e andava atrás dos trabalhadores, catando as espigas que caíam. E por acaso ela entrou numa plantação que era de Boaz, um parente de Elimeleque.

4 Nisso Boaz chegou de Belém e disse aos trabalhadores:
— Que o Senhor esteja com vocês!
— Que o Senhor o abençoe! — responderam eles.

5 Aí Boaz perguntou ao chefe dos trabalhadores:
— Quem é aquela moça ali?

6 Ele respondeu:
— É a moabita que veio de Moabe com Noemi.

7 Ela me pediu que a deixasse ir atrás dos trabalhadores, catando as espigas que fossem caindo. E assim ela está trabalhando desde cedo até agora e só parou um pouco para descansar debaixo do abrigo.

8 Então Boaz disse a Rute:
— Escute, minha filha. Não vá catar espigas em nenhuma outra plantação. Fique aqui e trabalhe perto das minhas empregadas.

9 Preste atenção e fique com elas no campo onde vão cortar espigas. Eu dei ordem aos empregados para não mexerem com você. Quando ficar com sede, beba da água que os empregados tirarem para beber.

10 Aí Rute ajoelhou-se, encostou o rosto no chão e disse:
— Por que é que o senhor reparou em mim e é tão bom para mim, que sou estrangeira?

11 Boaz respondeu:
— Eu ouvi falar de tudo o que você fez pela sua sogra desde que o seu marido morreu. E sei que você deixou o seu pai, a sua mãe e a sua pátria e veio viver entre gente que não conhecia.

12 Que o Senhor a recompense por tudo o que você fez. Que o Senhor, o Deus de Israel, cuja proteção você veio procurar, lhe dê uma grande recompensa.

13 Rute disse a Boaz:
— O senhor está sendo muito bom para mim. O senhor me dá ânimo, falando comigo com tanta bondade, pois eu mereço menos do que uma das suas empregadas.

14 Na hora do almoço, Boaz disse a Rute:
— Venha aqui, pegue um pedaço de pão e molhe no vinho.
Então ela sentou-se ao lado dos trabalhadores, e Boaz lhe deu cevada torrada. Ela comeu até ficar satisfeita, e ainda sobrou.

15 Quando Rute se levantou para ir de novo catar espigas, Boaz ordenou aos empregados:
— Deixem que ela apanhe espigas até no meio dos feixes e não a aborreçam.

16 Tirem também algumas espigas dos feixes e deixem cair para que ela possa apanhar. E não briguem com ela.
17 E assim Rute catou espigas no campo até de tarde. Depois debulhou os grãos das espigas que havia apanhado, e estes pesaram quase vinte e cinco quilos. 18 Pegou a cevada, voltou para a cidade e mostrou à sua sogra o quanto havia catado. Também lhe deu a comida que tinha sobrado do almoço.

19 Então Noemi perguntou:
— Onde é que você foi catar espigas hoje? Onde foi que você trabalhou? Que Deus abençoe o homem que se interessou por você!
Aí Rute contou a Noemi que havia trabalhado na plantação de um homem chamado Boaz.

20 E Noemi disse:
— Que o Senhor abençoe Boaz, que sempre tem sido bom, tanto para os que estão vivos como para os que já morreram!
Noemi continuou:
— Esse homem é nosso parente chegado e um dos responsáveis por nós.

21 Então Rute disse:
— Além de tudo isso, ele disse que eu posso continuar trabalhando com os seus empregados até acabar a colheita.

22 Noemi respondeu:
— É bom que você vá com as empregadas dele, minha filha. Pois, se fosse trabalhar na plantação de outro homem, você poderia ser humilhada.
23 Assim Rute trabalhou com as empregadas de Boaz e catou espigas até terminar a colheita da cevada e do trigo. E continuou morando com a sua sogra.



Rute 3

A bondade de Boaz

1 Um dia Noemi disse a Rute:
— Minha filha, preciso arranjar um marido para você, a fim de que você tenha um lar. 2 Você lembra que Boaz, o homem que a deixou trabalhar com as suas empregadas, é um dos nossos parentes? Pois bem! Esta noite ele vai debulhar a cevada. 3 Faça o seguinte: lave-se, ponha perfume e vista o seu melhor vestido. Depois vá até o lugar onde Boaz está trabalhando, mas não o deixe saber que você está ali, até que ele acabe de comer e de beber.

4 Quando Boaz for dormir, olhe bem onde ele vai se deitar. Então vá, levante a coberta dos pés dele e deite-se ali. Ele dirá o que você deve fazer.

5 Rute respondeu:
— Vou fazer tudo o que a senhora disse.
6 Ela foi ao lugar onde debulhavam as espigas e fez tudo o que a sua sogra havia mandado. 7 Quando Boaz acabou de comer e de beber, ficou um pouco alegre e foi dormir perto de um monte de cevada. Então Rute veio de mansinho, levantou a coberta dos pés dele e se deitou ali.

8 No meio da noite ele acordou de repente, sentou-se e ficou muito admirado de encontrar uma mulher deitada perto dos seus pés.

9 Ele perguntou:
— Quem é você?
— Eu sou Rute, a sua empregada! — respondeu ela. — O senhor é nosso parente chegado e por isso tem o dever de me proteger.

10 Boaz respondeu:
— Que o Senhor a abençoe, minha filha! Você está mostrando maior lealdade à família do seu sogro naquilo que está fazendo agora do que naquilo que fez pela sua sogra. Pois você não foi procurar um homem mais moço, fosse rico ou fosse pobre. 11 Agora, minha filha, não tenha medo. Na cidade toda gente sabe que você é uma mulher direita. Vou fazer tudo o que me pede. 12 De fato, sou seu parente chegado e sou responsável por você. Mas acontece que há um homem que também é seu parente e até mais chegado do que eu.

13 Fique aqui o resto da noite, e de manhã nós veremos se ele quer ser responsável por você. Se ele quiser, muito bem; mas, se não quiser, prometo por Deus, o Senhor, que ficarei com essa responsabilidade. Agora deite-se e durma de novo.

14 Então Rute passou o resto da noite deitada aos pés dele. Enquanto ainda estava escuro, ela se levantou para não ser vista, pois Boaz não queria que ninguém soubesse que uma mulher havia ido lá.

15 Então Boaz disse:
— Tire a sua capa e estenda no chão.
Ela estendeu, e ele despejou na capa uns vinte quilos de cevada e a ajudou a pôr no ombro. Aí Rute voltou para a cidade.

16 Quando ela chegou a casa, a sua sogra perguntou:
— Como foram as coisas, minha filha?
Rute contou tudo o que Boaz tinha feito por ela. E disse ainda:

17 — Ele também me deu toda esta cevada e disse: “Não volte para casa sem levar alguma coisa para a sua sogra.”

18 Então Noemi disse:
— Agora, minha filha, tenha paciência e espere para ver o que vai acontecer. Pois Boaz não vai descansar enquanto não resolver esse assunto, ainda hoje.



Rute 4

Boaz casa com Rute

1 Boaz foi até a praça que ficava ao lado do portão da cidade e sentou-se ali. Nesse momento apareceu o parente mais chegado de Elimeleque, aquele de quem Boaz havia falado. E Boaz lhe disse:
— Meu amigo, venha aqui e sente-se.
Ele foi e sentou-se.

2 Então Boaz chamou dez pessoas importantes da cidade e disse:
— Sentem-se aqui.
Eles se sentaram,

3 e Boaz disse ao seu parente:
— Noemi voltou do país de Moabe e está querendo vender as terras que eram do nosso parente Elimeleque.

4 Então eu resolvi conversar com você sobre este assunto. Agora, se você quiser, compre essas terras na presença das autoridades do nosso povo e dos homens que estão sentados aqui. Mas, se não quiser, diga, pois o direito de comprar essas terras é primeiro seu e depois, meu.
O homem respondeu:
— Eu compro as terras.

5 Aí Boaz disse:
— Se você comprar as terras de Noemi, também terá de casar com Rute, a viúva moabita, para que as terras fiquem com a família do falecido.

6 Então o homem respondeu:
— Nesse caso, não vou usar o meu direito de comprar as terras, pois correria o risco de prejudicar a minha própria herança. Use você o meu direito; eu prefiro não fazer isso.

7-8 Compre você as terras.
Em seguida tirou a sandália e deu a Boaz. (Antigamente, em Israel, para fechar um negócio de compra ou troca de propriedades, uma pessoa entregava à outra a sua sandália.)

9 Aí Boaz disse às autoridades e a todo o povo:
— Hoje vocês são testemunhas de que eu comprei de Noemi tudo o que era de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom.

10 Também casarei com Rute, a moabita, viúva de Malom, para que a propriedade continue com a família do falecido. Assim o nome de Malom será sempre lembrado no meio deste povo e na sua cidade natal. Hoje vocês são testemunhas disso.

11 Todos responderam:
— Sim, nós somos testemunhas.
E as autoridades disseram a Boaz:
— O Senhor faça com que essa mulher, que veio para o seu lar, seja como Raquel e Leia, que deram muitos filhos a Jacó, tornando-se assim as mães da nação israelita! Que você seja rico e famoso em Belém-Efrata!

12 Que os filhos que o Senhor lhe der neste casamento façam com que a sua família seja como a família de Peres, filho de Judá e de Tamar!
13 Então Boaz levou Rute para casa, para ser a sua mulher. Eles tiveram relações, e o Senhor deu a Rute a bênção de ficar grávida, e ela deu à luz um filho.

14 E as mulheres disseram a Noemi:
— Louvado seja o Senhor, que lhe deu hoje um neto para cuidar de você! Que este menino venha a ser famoso em Israel!

15 Que ele seja um consolo para o seu coração e lhe dê segurança na velhice! A sua nora, a mãe do menino, a ama; e ela vale para você mais do que sete filhos.
16 Noemi pegou o menino no colo e cuidou dele.

17 Ao vê-lo, as mulheres da vizinhança diziam:
— Nasceu um filho para Noemi!
E lhe deram o nome de Obede.
Obede veio a ser o pai de Jessé, que foi o pai do rei Davi.
18-22 Os antepassados de Davi, desde Peres, são estes: Peres, Esrom, Rão, Aminadabe, Nasom, Salmom, Boaz, Obede e Jessé.

Juízes 18 a 21 (dia 58)

Juízes 18

Mica e a tribo de Dã

1 Naquele tempo não havia rei em Israel. E a tribo de Dã estava procurando uma terra para morar, terra que fosse só deles. Isso porque até aquela ocasião eles não tinham recebido a parte da terra que devia ser deles, embora as outras tribos de Israel já tivessem recebido a sua parte. 2 Então o povo de Dã escolheu cinco homens de valor entre todas as famílias da tribo. Eles foram mandados das cidades de Zora e Estaol para espiar e conhecer a terra. Foram para a região montanhosa de Efraim e ficaram na casa de Mica.

3 Enquanto estavam lá, perceberam, pelo jeito de o jovem levita falar, que ele não era dali. Então chegaram perto dele e perguntaram:
— O que é que você está fazendo aqui? Quem trouxe você para cá?

4 Ele respondeu:
— Eu fiz um trato com Mica. Ele me paga para ser sacerdote dele.

5 Aí disseram ao moço:
— Então pergunte a Deus se nós seremos bem sucedidos na nossa viagem.

6 O sacerdote respondeu:
— Não se preocupem. O Senhor Deus estará com vocês nesta viagem.
7 Então os cinco homens saíram dali e foram para a cidade de Laís. Chegando lá, viram que o povo daquele lugar vivia em segurança, como os sidônios. Eram pacíficos e calmos e não tinham brigas com ninguém. Eles tinham tudo o que precisavam. Moravam longe dos sidônios e viviam afastados dos outros povos. 8 Quando os cinco homens voltaram para Zora e Estaol, a sua gente perguntou o que eles haviam descoberto.

9 E eles responderam:
— Vamos atacar! Nós vimos a terra, e ela é muito boa! Não fiquem aí parados! Vão depressa e tomem a terra!

10 Lá vocês vão ver que o povo não desconfia de nada. A terra deles é grande e tem tudo o que é preciso. E Deus a está dando a vocês.
11 Então seiscentos homens da tribo de Dã saíram de Zora e Estaol, prontos para a luta. 12 Subiram e acamparam a oeste da cidade de Quiriate-Jearim, na região de Judá. É por isso que aquele lugar é chamado até hoje de “Campo de Dã”.

13 Dali foram para a região montanhosa de Efraim e chegaram à casa de Mica.

14 Aqueles cinco homens que haviam ido espiar a terra ao redor de Laís disseram aos seus companheiros:
— Vocês sabiam que numa dessas casas há um ídolo de madeira folheado a prata? Há também outros ídolos e uma roupa de sacerdote. O que vocês acham que devemos fazer?
15 Então eles entraram na casa de Mica, onde morava o jovem levita, e o cumprimentaram. 16 Enquanto isso, os seiscentos soldados da tribo de Dã estavam esperando no portão, prontos para combater. 17 Os cinco espiões entraram na casa, pegaram o ídolo de madeira folheado a prata, os outros ídolos e a roupa de sacerdote. O sacerdote tinha ficado no portão com os seiscentos soldados armados.

18 Quando os homens entraram na casa de Mica e pegaram os objetos sagrados, o sacerdote perguntou:
— O que vocês estão fazendo?

19 Eles responderam:
— Fique quieto. Não diga nada. Venha com a gente e seja o nosso sacerdote e conselheiro. Você não gostaria de ser o sacerdote de uma tribo inteira, em vez de ser sacerdote de apenas uma família?
20 O sacerdote ficou muito contente, pegou os objetos sagrados e foi com os espiões e os soldados. 21 Eles deram meia-volta, puseram na frente as crianças, o gado e os seus bens e partiram. 22 Já estavam longe quando os vizinhos de Mica, que haviam sido chamados para lutar, alcançaram os homens da tribo de Dã.

23 Estes, ao ouvirem os gritos dos que vinham atrás deles, deram meia-volta e perguntaram a Mica:
— O que é que há? Para que toda essa gente?

24 Ele respondeu:
— Vocês ainda me perguntam o que é que há? Vocês me tomaram os deuses que eu fiz e o meu sacerdote e foram embora! O que foi que sobrou para mim?

25 Os homens de Dã disseram:
— É melhor você não falar mais nada porque estes homens podem ficar zangados e acabar atacando vocês. Nesse caso você e toda a sua família morreriam.

26 Depois de dizerem isso, os homens de Dã partiram. Mica viu que eles eram mais fortes; então voltou para casa.
27 Os homens da tribo de Dã levaram as coisas que Mica havia feito e também o sacerdote dele. Aí foram e atacaram Laís, aquela cidade de povo pacífico e calmo. Mataram os seus moradores e queimaram a cidade. 28 Não havia ninguém para salvar aquela gente, pois Laís ficava longe de Sidom, e eles não tinham contato com outros povos. A cidade ficava no vale, perto de Bete-Reobe. A tribo de Dã construiu de novo Laís e ficou morando ali. 29 Deram à cidade o nome de Dã porque assim se chamava o fundador da tribo, que era filho de Jacó. 30 E os homens de Dã levantaram o ídolo para adorá-lo. Jônatas, filho de Gérson e neto de Moisés, foi sacerdote da tribo de Dã. Ele e os seus descendentes foram sacerdotes da tribo de Dã até que o povo foi levado como prisioneiro para fora da sua terra. 31 E o ídolo feito por Mica ficou com eles durante todo o tempo em que a casa de Deus esteve em Siló.



Juízes 19

O levita e a sua concubina

1 Naqueles dias em que Israel não tinha rei, um levita foi morar bem longe, na região montanhosa de Efraim. Ele arranjou uma jovem de Belém de Judá para ser a sua concubina. 2 Porém ela brigou com ele e voltou para a casa do seu pai, em Belém. E ficou lá durante quatro meses. 3 Então o homem resolveu ir a Belém atrás dela, para tentar convencê-la a voltar. Ele foi com o seu empregado e levou dois jumentos. E a moça o recebeu na casa do seu pai. Quando o pai da moça viu o levita, recebeu-o com alegria 4 e insistiu para que ficasse na sua casa. E ele ficou ali três dias. Assim o casal tomou as suas refeições e passou as noites ali.

5 No quarto dia eles se levantaram cedo e se aprontaram para ir embora. Mas o pai da moça disse ao levita:
— Coma alguma coisa antes de ir e assim você se sentirá melhor. Você pode ir mais tarde.

6 Então os dois homens se sentaram, e comeram, e beberam juntos. Aí o pai da moça disse:
— Por favor, fique mais uma noite e divirta-se.
7 O homem se levantou para sair, mas o pai da moça insistiu muito que ele ficasse. E assim o levita passou outra noite ali.

8 No quinto dia, bem cedo, ele se levantou para ir, mas o pai da moça pediu:
— Por favor, coma alguma coisa. Espere até mais tarde.
E os dois homens comeram juntos.

9 Quando o homem, a moça e o empregado iam saindo, o pai disse:
— Olhe! Agora já é quase noite. É melhor você ficar para passar a noite aqui. Logo vai ficar escuro. Fique aqui e divirta-se. Amanhã você poderá se levantar cedo e viajar de volta para casa.

10-11 Mas o levita não quis passar lá mais outra noite e partiu de viagem com a sua concubina, levando dois jumentos arreados. Já era quase noite quando chegaram perto da cidade de Jebus, isto é, Jerusalém. Então o empregado disse ao patrão:
— Por que não paramos e passamos a noite nesta cidade dos jebuseus?

12 Mas o patrão respondeu:
— Não vamos parar numa cidade onde o povo não é israelita. Vamos continuar até Gibeá.

13 É melhor a gente andar mais um pouco e passar a noite em Gibeá ou Ramá.
14 Então passaram pela cidade de Jebus e continuaram a viagem. O sol já se havia escondido quando eles chegaram a Gibeá, cidade da tribo de Benjamim.

15 Aí saíram da estrada para passar a noite na cidade. O levita chegou e se sentou na praça. Mas ninguém o convidou para dormir na sua casa.
16 E aconteceu que passou por ali um velho que estava voltando do seu trabalho na roça. Ele era da região montanhosa de Efraim, mas estava morando em Gibeá. O povo dali era da tribo de Benjamim.

17 O velho viu o viajante na praça e perguntou:
— De onde você é? Para onde vai?

18 O levita respondeu:
— Eu estou viajando de Belém de Judá para bem longe, para a região montanhosa de Efraim, onde moro. Fui a Belém e agora estou voltando para casa, mas ninguém me ofereceu hospedagem para esta noite.

19 Nós temos alimento e palha para os jumentos, e pão e vinho para mim, para a minha concubina e para o meu empregado. Temos tudo o que precisamos.

20 O velho disse:
— Venham comigo; vocês serão bem recebidos na minha casa. Eu cuidarei de vocês. Por favor, não passem a noite na praça.

21 Então ele os levou para a sua casa e deu de comer aos jumentos. Os seus hóspedes lavaram os pés, comeram e beberam.

22 Enquanto eles conversavam alegremente, alguns homens imorais daquela cidade cercaram a casa e começaram a bater na porta. E disseram ao velho:
— Traga para fora o homem que está na sua casa! Nós queremos ter relações com ele.

23 Aí o velho saiu e disse:
— Não, meus amigos! Por favor, não façam essa coisa tão má e tão imoral! Este homem é meu hóspede.

24 Olhem! Estão aqui a minha filha virgem e a concubina dele. Eu vou pôr as duas para fora, e vocês poderão fazer com elas o que quiserem. Mas não façam essa coisa horrível com este homem!

25 Mas eles não quiseram ouvi-lo. Então o levita pegou a sua concubina, a pôs para fora e a entregou a eles. E eles a forçaram, e abusaram dela a noite toda, e só a deixaram de manhã.
26 Ao amanhecer a mulher veio e caiu na frente da casa onde o seu marido estava. E ficou ali até clarear o dia. 27 De manhã o marido se levantou para continuar a viagem. Quando abriu a porta, achou a sua concubina caída em frente da casa, com as mãos na soleira da porta.

28 Aí lhe disse:
— Levante-se! Vamos embora!
Porém não teve resposta. Então pôs o corpo dela atravessado sobre o jumento e seguiu viagem para casa. 29 Quando chegou lá, entrou, pegou uma faca e cortou o corpo da concubina em doze pedaços. Depois mandou um pedaço para cada uma das doze tribos de Israel.

30 E todos os que viam isso diziam:
— Nunca vimos uma coisa assim! Nunca houve uma coisa igual a essa, desde o tempo em que os israelitas saíram do Egito! Pensem! O que vamos fazer agora?



Juízes 20

Planos para castigar os moradores de Gibeá

1 Por causa disso todo o povo de Israel, desde Dã, no Norte, até Berseba, no Sul, e Gileade, no Leste, se reuniu em Mispa. Eles se reuniram na presença de Deus, o Senhor, como se fossem uma só pessoa. 2 Os chefes de todas as tribos de Israel estavam presentes nessa reunião do povo de Deus. Havia quatrocentos mil homens a pé, treinados para a guerra.

3 E o povo de Benjamim soube que todos os outros israelitas haviam subido até Mispa e que eles queriam saber como aquele crime havia sido cometido.

4 Então o levita, marido da mulher assassinada, explicou:
— Cheguei com a minha concubina a Gibeá, no território da tribo de Benjamim, para passar a noite. 5 Os homens de Gibeá vieram de noite e cercaram a casa. Eles queriam me matar. Em vez disso abusaram da minha concubina, e ela morreu. 6 Então eu peguei o corpo dela, cortei em pedaços e mandei um pedaço para cada uma das doze tribos de Israel. Aquela gente cometeu um crime horrível no meio do nosso povo.

7 Todos vocês que estão aqui são israelitas. Vamos resolver agora o que fazer.

8 Todo o povo de Israel se levantou ao mesmo tempo e disse:
— Nenhum de nós, nem os que moram em casas, nem os que moram em barracas, voltará para casa. 9 Vamos escolher alguns homens para atacar Gibeá.

10 A décima parte dos homens de Israel vai arranjar comida para os que vão lutar. Os outros vão castigar os moradores de Gibeá pelo crime horrível que cometeram em Israel.
11 Então todo o povo de Israel se reuniu como se fosse uma só pessoa para atacar a cidade de Gibeá.

12 As tribos israelitas mandaram que mensageiros fossem por toda a tribo de Benjamim e dissessem:
— Que crime horrível vocês cometeram!

13 Exigimos que vocês nos entreguem agora esses homens imorais para que nós os matemos. Assim tiraremos esse mal do meio do povo de Israel.
Mas o povo de Benjamim não deu atenção aos outros israelitas. 14 Eles saíram de todas as suas cidades e foram para Gibeá a fim de lutar contra o resto do povo de Israel. 15 Naquele dia eles convocaram das suas cidades vinte e seis mil soldados. Depois os moradores de Gibeá reuniram mais setecentos homens especialmente escolhidos, 16 que eram canhotos. Qualquer um deles podia atirar com funda uma pedra num fio de cabelo, sem nunca errar.

17 E os outros israelitas que iam lutar contra a tribo de Benjamim reuniram quatrocentos mil soldados treinados.



A guerra contra a tribo de Benjamim

18 Os israelitas foram ao lugar de adoração, em Betel, e ali perguntaram a Deus:
— Qual das nossas tribos atacará primeiro a tribo de Benjamim?
E o Senhor respondeu:
— A tribo de Judá.
19 Na manhã seguinte os israelitas subiram e acamparam perto da cidade de Gibeá. 20 Saíram para combater contra a tribo de Benjamim e puseram os soldados em posição de ataque, de frente para a cidade. 21 Então o exército de Benjamim saiu da cidade. E, antes de terminar o dia, eles mataram vinte e dois mil soldados israelitas.

22-23 Aí o povo de Israel foi para o lugar de adoração e, na presença do Senhor, chorou até a tarde. E eles perguntaram ao Senhor:
— Devemos ir combater outra vez os nossos irmãos da tribo de Benjamim?
E Deus respondeu:
— Sim.
Então o exército israelita se animou de novo. E eles puseram os seus soldados em posição de combate novamente, no mesmo lugar em que haviam lutado no dia anterior. 24 Os israelitas marcharam contra a tribo de Benjamim pela segunda vez. 25 E pela segunda vez os soldados de Benjamim saíram de Gibeá. E dessa vez mataram dezoito mil soldados israelitas treinados. 26 Então todo o povo de Israel subiu de novo até Betel para chorar. Ficaram ali na presença de Deus, o Senhor, e não comeram nada até a tarde. E apresentaram ao Senhor ofertas que foram completamente queimadas e sacrifícios de paz. 27 Eles fizeram uma pergunta ao Senhor. (Acontece que naqueles dias a arca da aliança estava ali em Betel.

28 E Fineias, filho de Eleazar e neto de Arão, estava encarregado de cuidar dela.) A pergunta que eles fizeram foi esta:
— Devemos sair mais uma vez para combater os nossos irmãos da tribo de Benjamim ou devemos desistir?
O Senhor respondeu:
— Combatam porque amanhã eu farei com que vocês os derrotem.
29 Então os israelitas puseram alguns soldados escondidos em volta de Gibeá. 30 No terceiro dia marcharam de novo contra o exército da tribo de Benjamim. Os seus soldados ficaram em posição de batalha, de frente para Gibeá, como tinham feito antes. 31 Os soldados de Benjamim saíram para combater e se afastaram da cidade. Como haviam feito antes, começaram a matar algumas pessoas na estrada de Betel, na estrada de Gibeá e em campo aberto. Mataram mais ou menos trinta israelitas.

32 E diziam:
— Nós já os derrotamos, como das outras vezes.
Mas os israelitas disseram:
— Vamos recuar e fazer com que eles se afastem da cidade e venham para as estradas.
33 Então a maior parte do exército israelita saiu dali e tornou a se juntar em Baal-Tamar. Mas os homens que cercavam a cidade saíram de repente dos lugares onde estavam escondidos na planície de Gibeá. 34 Dez mil dos melhores soldados israelitas atacaram Gibeá, e o combate foi duro. Os benjamitas não imaginavam que iam ser destruídos. 35 O Senhor Deus fez com que os israelitas derrotassem o exército de Benjamim. E naquele dia os israelitas mataram vinte e cinco mil e cem inimigos.

36 Então os benjamitas compreenderam que estavam vencidos.



A vitória dos israelitas

Os israelitas tinham se retirado durante a luta contra os benjamitas porque confiavam nos homens que haviam colocado escondidos em volta de Gibeá. 37 Esses homens avançaram depressa na direção de Gibeá, espalharam-se e mataram todas as pessoas da cidade. 38 O exército israelita e os homens que estavam escondidos tinham combinado um sinal: quando vissem uma grande nuvem de fumaça subindo da cidade,

39 os israelitas que estavam fora, no campo de batalha, deviam dar meia-volta e atacar. Até aquele momento os benjamitas já haviam matado uns trinta israelitas e diziam:
— Sim. Já os derrotamos, como das outras vezes.
40 Então o sinal apareceu: uma nuvem de fumaça começou a subir da cidade. Os benjamitas olharam para trás e ficaram muito espantados quando viram a cidade inteira pegando fogo. 41 Então os homens de Israel deram meia-volta, e os benjamitas ficaram apavorados porque viram que iam ser destruídos. 42 Eles fugiram e correram na direção do deserto, mas não puderam escapar. Foram cercados pela maior parte do exército israelita e também pelos soldados que vinham da cidade e foram destruídos. 43 Os israelitas cercaram os inimigos, e os perseguiram sem parar até um lugar a leste de Gibeá, e os iam matando pelo caminho. 44 Dezoito mil dos melhores soldados benjamitas foram mortos. 45 Os outros fugiram na direção do deserto, para a rocha de Rimom. Cinco mil foram mortos nas estradas. Os israelitas perseguiram o resto e assim mataram mais dois mil homens.

46 Ao todo vinte e cinco mil benjamitas foram mortos naquele dia, todos eles soldados valentes.
47 Porém seiscentos homens fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom, e ficaram lá quatro meses. 48 Os israelitas atacaram o resto dos benjamitas e os mataram, tanto homens como animais, e destruíram tudo o que encontraram. E queimaram todas as cidades da região.



Juízes 21

Esposas para a tribo de Benjamim

1 O povo de Israel havia feito em Mispa este juramento a Deus:
— Nenhum de nós deixará que um homem da tribo de Benjamim case com uma das nossas filhas.
2 O povo foi a Betel e ficou ali na presença de Deus até a tarde. Eles choraram amargamente, em voz alta,

3 dizendo:
— Ó Senhor, Deus de Israel, por que aconteceu isso? Por que está faltando uma das nossas tribos?
4 O povo se levantou bem cedo na manhã seguinte e construiu ali um altar. Apresentaram ofertas que foram completamente queimadas e sacrifícios de paz.

5 E perguntaram:
— De todas as tribos de Israel, quem foi que não subiu para aquela reunião na presença do Senhor Deus, em Mispa?
Eles tinham feito um juramento muito sério: quem faltasse à reunião em Mispa seria morto.

6 O povo de Israel teve muita pena dos seus irmãos da tribo de Benjamim e disse:
— Hoje Israel perdeu uma das suas tribos.

7 O que faremos para arranjar esposas para os que ficaram? Pois juramos ao Senhor que não daríamos a eles nenhuma das nossas filhas.

8 Então perguntaram:
— De todas as tribos de Israel, quem não compareceu diante do Senhor em Mispa?
E ficaram sabendo que, de Jabes-Gileade, ninguém havia tomado parte na reunião. 9 Quando fizeram a chamada do povo, ninguém de Jabes-Gileade estava lá.

10 Então todos concordaram em mandar para lá doze mil homens, dos mais corajosos, com estas ordens:
— Vão e matem os moradores de Jabes-Gileade, tanto homens como mulheres e crianças.

11 Façam isto: matem todos os homens e todas as mulheres que não forem virgens.

12 E eles encontraram quatrocentas virgens em Jabes-Gileade e as levaram ao acampamento de Siló, que fica na terra de Canaã.
13 Então todos concordaram em mandar mensageiros aos benjamitas, na rocha de Rimom, para fazer uma proposta de paz. 14 Aí os benjamitas voltaram e receberam aquelas quatrocentas moças de Jabes-Gileade. Porém não havia moças em número suficiente para todos. 15 Então o povo ficou com pena dos benjamitas, pois pela vontade do Senhor estava faltando uma das tribos de Israel.

16 Aí os chefes do povo de Israel disseram:
— Não há mais mulheres na tribo de Benjamim. O que vamos fazer para arranjar esposas para os que ficaram? 17 O povo de Israel não deve perder uma das suas doze tribos. Temos de achar um jeito de a tribo de Benjamim não acabar.

18 Porém não podemos deixar que eles casem com as nossas filhas.
Eles falavam isso porque o povo de Israel havia amaldiçoado quem deixasse um benjamita casar com a sua filha.

19 Então disseram:
— A festa anual do Senhor, na cidade de Siló, está perto.
(Siló fica ao norte de Betel, ao sul de Lebona e a leste da estrada que vai de Betel a Siquém.)

20 E os chefes do povo de Israel disseram aos benjamitas:
— Vão, escondam-se nas plantações de uvas 21 e fiquem vigiando. Durante a festa, quando as moças de Siló saírem dançando, vocês também saiam das plantações de uvas. E cada um agarre uma das moças e leve embora para a terra de Benjamim.

22 Assim, quando os pais ou irmãos delas vierem se queixar, nós poderemos dizer: “Por favor, deixem que elas fiquem, pois na batalha contra Jabes-Gileade não conseguimos mulheres para todos os benjamitas. E vocês não serão culpados de quebrarem a promessa, pois não deram as suas filhas a eles: elas foram roubadas.”
23 E assim fizeram os benjamitas. Cada um deles escolheu uma esposa entre as moças que estavam dançando e a levou embora. Então voltaram para a sua terra, construíram de novo as suas cidades e ficaram morando ali.

24 Enquanto isso, os outros israelitas saíram, e cada um voltou para a sua tribo, a sua família e as suas terras.
25 Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria.