Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)

domingo, 10 de abril de 2011

Gênesis 37 a 40 (dia 10)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 37

Jacó ficou morando na terra de Canaã, onde o seu pai tinha vivido.

Esta é a história da família de Jacó. Quando José era um jovem de dezessete anos, cuidava das ovelhas e das cabras, junto com os seus irmãos, os filhos de Bila e de Zilpa, que eram mulheres do seu pai. E José contava ao pai as coisas erradas que os seus irmãos faziam.

Jacó já era velho quando José nasceu e por isso ele o amava mais do que a todos os seus outros filhos. Jacó mandou fazer para José uma túnica longa, de mangas compridas. Os irmãos viam que o pai amava mais a José do que a eles e por isso tinham ódio dele e eram grosseiros quando falavam com ele.

Certa vez, José teve um sonho e o contou aos seus irmãos.

Aí é que ficaram com mais raiva dele, porque ele disse assim:
- Escutem, que eu vou contar o sonho que tive. Sonhei que estávamos no campo amarrando feixes de trigo. De repente, o meu feixe ficou de pé, e os feixes de vocês se colocaram em volta do meu e se curvavam diante dele.

Então os irmãos perguntaram:
- Quer dizer que você vai ser nosso rei e que vai mandar em nós?

E ficaram com mais ódio dele ainda por causa dos seus sonhos e do jeito que ele os contava.

Depois José sonhou outra vez e contou também esse sonho aos seus irmãos.

Ele disse assim:
- Eu tive outro sonho. Desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim.

Quando José contou esse sonho ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e disse:
- O que quer dizer esse sonho que você teve? Por acaso a sua mãe, os seus irmãos e eu vamos nos ajoelhar diante de você e encostar o rosto no chão?

Os irmãos de José tinham inveja dele, mas o seu pai ficou pensando no caso.

Um dia, os irmãos de José levaram as ovelhas e as cabras do seu pai até os pastos que ficavam perto da cidade de Siquém.

Então Jacó disse a José:
- Venha cá. Vou mandar você até Siquém, onde os seus irmãos estão cuidando das ovelhas e das cabras.

- Estou pronto para ir - respondeu José.

Jacó disse:
- Vá lá e veja se os seus irmãos e os animais vão bem e me traga notícias.

Então dali, do vale de Hebrom, Jacó mandou que José fosse até Siquém, e ele foi.

Quando chegou lá, ele foi andando pelo campo.

Aí um homem o viu e perguntou:
- O que você está procurando?

- Estou procurando os meus irmãos - respondeu José. - Eles estão por aí, em algum pasto, cuidando das ovelhas e das cabras. O senhor sabe aonde foram?

O homem respondeu:
- Eles já foram embora daqui. Eu ouvi quando disseram que iam para Dotã.

Aí José foi procurar os seus irmãos e os achou em Dotã. Eles viram José de longe e, antes que chegasse perto, começaram a fazer planos para matá-lo.

Eles disseram:
- Lá vem o sonhador! Venham, vamos matá-lo agora. Depois jogaremos o corpo num poço seco e diremos que um animal selvagem o devorou. Assim, veremos no que vão dar os sonhos dele.

Quando Rúben ouviu isso, quis salvá-lo dos seus irmãos e disse:
- Não vamos matá-lo. Não derramem sangue. Vocês podem jogá-lo neste poço, aqui no deserto, mas não o machuquem.

Rúben disse isso porque planejava salvá-lo dos irmãos e mandá-lo de volta ao pai.

Quando José chegou ao lugar onde os seus irmãos estavam, eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo. Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco. E sentaram-se para comer.

De repente, viram que ia passando uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade e ia para o Egito. Os seus camelos estavam carregados de perfumes e de especiarias.

Aí Judá disse aos irmãos:
- O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão e depois escondermos a sua morte? Em vez de o matarmos, vamos vendê-lo a esses ismaelitas. Afinal de contas, ele é nosso irmão, é do nosso sangue.

Os irmãos concordaram.

Quando alguns negociantes midianitas passaram por ali, os irmãos de José o tiraram do poço e o venderam aos ismaelitas por vinte barras de prata. E os ismaelitas levaram José para o Egito.


Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá dentro, rasgou as suas roupas em sinal de tristeza.

Ele voltou para o lugar onde os seus irmãos estavam e disse:
- O rapaz não está mais lá! E agora, o que é que eu vou fazer?

Então os irmãos mataram um cabrito e com o sangue mancharam a túnica de José.

Depois levaram a túnica ao pai e disseram:
- Achamos isso aí. Será que é a túnica do seu filho?

Jacó a reconheceu e disse:
- Sim, é a túnica do meu filho! Certamente algum animal selvagem o despedaçou e devorou.

Então, em sinal de tristeza, Jacó rasgou as suas roupas e vestiu roupa de luto. E durante muito tempo ficou de luto pelo seu filho.

Todos os seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele não quis ser consolado e disse:
- Vou ficar de luto por meu filho até que vá me encontrar com ele no mundo dos mortos.

E continuou de luto por seu filho José.

Enquanto isso, os midianitas venderam José a Potifar, oficial e capitão da guarda do rei do Egito.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 38

Por esse tempo, Judá se separou dos seus irmãos e foi morar na casa de um homem chamado Hira, que era da cidade de Adulã.

Ali Judá ficou conhecendo a filha de um cananeu chamado Sua. Judá casou com ela, e ela lhe deu um filho, a quem ele chamou de Er. Ela ficou grávida outra vez e teve outro filho, a quem ela deu o nome de Onã. Depois ela teve mais um filho, em quem ela pôs o nome de Selá. Judá estava em Quezibe quando esse menino nasceu.

Judá casou Er, o seu filho mais velho, com uma mulher chamada Tamar. O SENHOR Deus não gostava da vida perversa que Er levava e por isso o matou.

Então Judá disse a Onã:
- Vá e tenha relações com a viúva do seu irmão. Assim, você cumprirá o seu dever de cunhado para que o seu irmão tenha descendentes por meio de você.

Ora, Onã sabia que o filho que nascesse não seria considerado como seu. Por isso, cada vez que tinha relações com a viúva do seu irmão, ele deixava que o esperma caísse no chão para que o seu irmão não tivesse descendentes por meio dele.

O SENHOR ficou desgostoso com o que Onã estava fazendo e o matou também.

Então Judá disse a Tamar, a sua nora:
- Volte para a casa do seu pai e continue viúva até que o meu filho Selá fique adulto.

Ele disse isso porque tinha medo que Selá fosse morto, como havia acontecido com os seus irmãos. Assim, Tamar foi morar na casa do pai dela.

Passado algum tempo, a mulher de Judá morreu. Quando acabou o luto, Judá foi até Timnate, onde estavam cortando a lã das suas ovelhas. E o seu amigo Hira, de Adulã, foi com ele.

Alguém contou a Tamar que o seu sogro ia a Timnate a fim de cortar a lã das suas ovelhas. Então ela trocou de roupa, deixando de lado as suas roupas de viúva, cobriu o rosto com um véu e se disfarçou. Em seguida foi e se sentou perto da entrada da cidade de Enaim, que fica no caminho para Timnate. Ela fez isso porque sabia muito bem que Selá já era homem feito, mas Judá não havia mandado que ele casasse com ela.

Quando Judá a viu, pensou que era uma prostituta, pois ela estava com o rosto coberto. Ele foi falar com ela na beira do caminho, sem saber que era a sua nora.

Ele disse:
- Você quer ir para a cama comigo?

Ela perguntou:
- Quanto é que você me paga?

Ele respondeu:
- Eu lhe mando um cabrito do meu rebanho.

- Está bem - disse ela. - Mas deixe alguma coisa comigo como garantia de que você vai mandar o cabrito.

Judá perguntou:
- O que você quer que eu deixe?

Ela respondeu:
- O seu sinete com o cordão e também o bastão que você tem na mão.

Então Judá entregou os objetos. Ele teve relações com ela, e ela ficou grávida. Tamar voltou para casa, tirou o véu e vestiu as suas roupas de viúva.

Mais tarde, Judá mandou o seu amigo Hira levar o cabrito e trazer de volta os objetos que havia deixado com ela, mas Hira não a encontrou. Ele perguntou aos homens de Enaim se sabiam onde estava a prostituta que costumava ficar na beira da estrada.

- Aqui não esteve nenhuma prostituta - foi a resposta deles.

Hira voltou e disse a Judá:
- Não encontrei a mulher. E os homens do lugar disseram que ali nunca havia estado nenhuma prostituta.

Então Judá disse:
- Pois ela que fique com as minhas coisas. Assim, ninguém vai zombar de nós. Eu mandei o cabrito, mas você não encontrou a mulher.

Passados uns três meses, foram dizer a Judá:
- A sua nora agiu como prostituta e agora está grávida.

Aí Judá disse:
- Tragam essa mulher para fora a fim de ser queimada!

Quando a estavam tirando da sua casa, ela mandou dizer ao seu sogro:
"Quem me engravidou foi o dono destas coisas. Examine e veja de quem são o sinete com o cordão e o bastão."

Judá reconheceu as coisas e disse:
- Ela tem mais razão do que eu; pois prometi casá-la com o meu filho Selá, mas não cumpri a promessa. E nunca mais teve relações com ela.

Na hora de Tamar dar à luz, descobriram que ia ter gêmeos.

Quando ela estava no trabalho de parto, um dos gêmeos pôs uma das mãos para fora. A parteira pegou uma fita vermelha e amarrou na mão dele.

E disse:
- Este saiu primeiro.

Mas ele puxou a mão, e o irmão gêmeo nasceu primeiro.

Então a parteira disse:
- Como você abriu caminho! E puseram nele o nome de Peres.

Depois nasceu o outro, o que estava com a fita vermelha amarrada na mão, e ele recebeu o nome de Zera.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 39

José foi levado para o Egito, onde os ismaelitas o venderam a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capitão da guarda do palácio.

O SENHOR Deus estava com José. Ele morava na casa do seu dono e ia muito bem em tudo. O dono de José viu que o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia. Assim, José ganhou a simpatia do seu dono, que o pôs como seu ajudante particular. Potifar deu a José a responsabilidade de cuidar da sua casa e tomar conta de tudo o que era seu.

Dali em diante, por causa de José, o SENHOR abençoou o lar do egípcio e também tudo o que ele tinha em casa e no campo. Potifar entregou nas mãos de José tudo o que tinha e não se preocupava com nada, a não ser com a comida que comia. José era um belo tipo de homem e simpático.

Algum tempo depois, a mulher do seu dono começou a cobiçar José.

Um dia ela disse:
- Venha, vamos para a cama.

Ele recusou, dizendo assim:
- Escute! O meu dono não precisa se preocupar com nada nesta casa, pois eu estou aqui. Ele me pôs como responsável por tudo o que tem. Nesta casa eu mando tanto quanto ele. Aqui eu posso ter o que quiser, menos a senhora, pois é mulher dele. Sendo assim, como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?

Todos os dias ela insistia que ele fosse para a cama com ela, mas José não concordava e também evitava estar perto dela. Mas um dia, como de costume, ele entrou na casa para fazer o seu trabalho, e nenhum empregado estava ali.

Então ela o agarrou pela capa e disse:
- Venha, vamos para a cama.

Mas ele escapou e correu para fora, deixando a capa nas mãos dela.

Quando notou que, ao fugir, ele havia deixado a capa nas suas mãos, a mulher chamou os empregados da casa e disse:
- Vejam só! Este hebreu, que o meu marido trouxe para casa, está nos insultando. Ele entrou no meu quarto e quis ter relações comigo, mas eu gritei o mais alto que pude. Logo que comecei a gritar bem alto, ele fugiu, deixando a sua capa no meu quarto.

Ela guardou a capa até que o dono de José voltou.

Aí contou a mesma história, assim:
- Esse escravo hebreu, que você trouxe para casa, entrou no meu quarto e quis abusar de mim. Mas eu gritei bem alto, e ele correu para fora, deixando a sua capa no meu quarto. Veja só de que jeito o seu escravo me tratou!

Quando ouviu essa história, o dono de José ficou com muita raiva. Ele agarrou José e o pôs na cadeia onde ficavam os presos do rei. E José ficou ali.

Mas o SENHOR estava com ele e o abençoou, de modo que ele conquistou a simpatia do carcereiro. Este pôs José como encarregado de todos os outros presos, e era ele quem mandava em tudo o que se fazia na cadeia. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava entregue a José, pois o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 40

Passado algum tempo, o rei do Egito foi ofendido por dois dos seus servidores, isto é, o chefe dos copeiros, que era encarregado de servir vinho, e o chefe dos padeiros.

O rei ficou furioso com os dois e mandou que fossem postos na cadeia que ficava na casa do capitão da guarda, no mesmo lugar onde José estava preso. Eles ficaram muito tempo ali, e o capitão deu a José a tarefa de cuidar deles.

Certa noite, ali na cadeia, o copeiro e o padeiro tiveram um sonho cada um. E cada sonho queria dizer alguma coisa. Quando José veio vê-los de manhã, notou que estavam preocupados.

Então perguntou:
- Por que vocês estão com essa cara tão triste hoje?

Eles responderam:
- Cada um de nós teve um sonho, e não há ninguém que saiba explicar o que esses sonhos querem dizer.

- É Deus quem dá à gente a capacidade de explicar os sonhos - disse José. - Vamos, contem o que sonharam.

Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho.

Ele disse:
- Sonhei que na minha frente havia uma parreira que tinha três galhos. Assim que as folhas saíam, apareciam as flores, e estas viravam uvas maduras. Eu estava segurando o copo do rei; espremia as uvas no copo e o entregava ao rei.

José disse:
- A explicação é a seguinte: os três galhos são três dias. Daqui a três dias o rei vai mandar soltá-lo. Você vai voltar ao seu trabalho e servirá vinho ao rei, como fazia antes. Porém, quando você estiver muito bem lá, lembre de mim e por favor tenha a bondade de falar a meu respeito com o rei, ajudando-me assim a sair desta cadeia. A verdade é que foi à força que me tiraram da terra dos hebreus e me trouxeram para o Egito; e mesmo aqui no Egito não fiz nada para vir parar na cadeia.

Quando o chefe dos padeiros viu que a explicação era boa, disse:
- Eu também tive um sonho. Sonhei que estava carregando na cabeça três cestos de pão. No cesto de cima havia todo tipo de comidas assadas que os padeiros fazem para o rei. E as aves vinham e comiam dessas comidas.

José explicou assim:
- O seu sonho quer dizer isto: os três cestos são três dias. Daqui a três dias o rei vai soltá-lo e vai mandar cortar a sua cabeça. Depois o seu corpo será pendurado num poste de madeira, e as aves comerão a sua carne.

Três dias depois, o rei comemorou o seu aniversário, oferecendo um banquete a todos os seus funcionários. Ele mandou soltar o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros e deu ordem para que viessem ao banquete.

E aconteceu exatamente o que José tinha dito: o rei fez com que o copeiro voltasse ao seu antigo trabalho de servir vinho ao rei e mandou que o padeiro fosse executado. Porém o chefe dos copeiros não lembrou de José; esqueceu dele completamente.

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